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O uso do CT Meninos da Vila como garantia em uma dívida de R$ 90 milhões envolvendo Neymar movimentou intensamente os bastidores do Santos nesta semana. O tema ganhou ainda mais repercussão pelas cláusulas que preveem cobrança imediata, cenário que pode impactar diretamente a próxima gestão. Diante disso, parte da torcida passou a questionar se a parceria, tratada como positiva por Marcelo Teixeira, de fato corresponde às expectativas.
Dentro de campo, o desempenho ainda deixa margem para debate. Apesar de o aproveitamento do Santos com Neymar ser superior — 47% contra apenas 15% sem o camisa 10 —, a equipe segue inserida no mesmo contexto dos últimos anos, brigando contra a zona de rebaixamento. Dizer que o jogador foi responsável por salvar o clube em 2025 soa como uma análise limitada diante do cenário mais amplo.
Fora das quatro linhas, porém, o impacto é evidente. A presença de Neymar recolocou o Santos no mapa do futebol mundial, ampliando sua visibilidade de forma significativa. Um exemplo simbólico disso foi a repercussão da camisa utilizada pelo atacante em 2012, que voltou a ganhar destaque internacional — inclusive sendo exibida pelo jovem Lamine Yamal em suas redes sociais.
Ainda assim, o clube parece não ter convertido esse ganho de imagem em resultados financeiros sólidos. Mesmo com uma receita recorde de R$ 678,5 milhões, o balanço anual apresentou um déficit de R$ 79,3 milhões. Os números indicam que, apesar do aumento de exposição e potencial comercial, a gestão não conseguiu transformar o momento em equilíbrio econômico.
O problema é que sem organização, nem o maior nome resolve. No fim das contas, a parceria entre Santos e Neymar se sustenta em um contraste claro: enquanto a imagem do clube cresce globalmente, os resultados esportivos e financeiros seguem aquém do esperado. O desafio agora não é apenas manter o brilho midiático, mas transformá-lo em estabilidade dentro e fora de campo — algo essencial para que o projeto deixe de ser apenas promissor e passe a ser, de fato, eficiente.