A proposta de Comissão Especial de Inquérito para investigar viagens de servidores da Prefeitura de Uberaba perdeu apoio na Câmara após vereadores identificarem o que classificaram como uma tentativa de uso político do tema por parte do vereador Jammal (PSDB).
Nos bastidores, parlamentares que inicialmente haviam assinado o pedido decidiram retirar seus nomes ao perceberem que a iniciativa estaria sendo utilizada como instrumento de promoção pessoal. A avaliação é de que o debate, legítimo quando há fatos concretos, passou a ser conduzido com foco em exposição nas redes sociais, e não em esclarecimentos técnicos.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que Jammal tem buscado pautas de maior visibilidade após a direção municipal do PSDB sinalizar que o partido deverá escolher seu candidato a deputado com base em desempenho em pesquisas internas. A CEI, nesse contexto, teria sido vista como oportunidade para ampliar presença digital e projeção pública.
O movimento ocorre após o vereador, que no início da gestão atuava como aliado da prefeita Elisa Araújo, migrar para a oposição. Segundo interlocutores políticos, a mudança de postura teria ocorrido após a definição de que ele não assumiria a presidência da Cohagra, companhia de habitação do município, cargo que era aguardado por seu grupo político.
Desde então, Jammal tem intensificado críticas à administração municipal e produzido vídeos frequentes nas redes sociais sobre temas diversos, muitos deles com abordagem genérica, buscando engajamento e repercussão.
Vereadores ouvidos reservadamente afirmam que a Câmara não pode ser palco de disputas pessoais ou estratégias eleitorais antecipadas. Para eles, instrumentos como a CEI precisam ter base técnica, fatos determinados e objetivo claro, sob pena de perderem credibilidade perante a população.
Enquanto isso, a proposta segue sem número suficiente de assinaturas para avançar. Nos corredores do Legislativo, a leitura predominante é de que a tentativa acabou isolando o autor da iniciativa e expondo uma articulação vista como precipitada.
A Prefeitura afirmou a reportagem, que todas as viagens oficiais seguem critérios legais e administrativos, conforme já apresentado ao Tribunal de Contas e que não irá fomentar narrativas políticas como a do vereador. Concluiu dizendo os documentos estão a disposição para interessados.
