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Um avanço médico brasileiro está oferecendo nova esperança para quem sofre com hérnia de disco lombar — uma das causas mais incapacitantes de dor na coluna. Trata-se de uma abordagem mais precisa de infiltração anti-inflamatória, que controla a dor intensa, diminui a necessidade de medicamentos e pode evitar a realização de cirurgias.
A hérnia de disco ocorre quando o disco intervertebral se desloca e comprime a raiz nervosa, provocando a chamada radiculopatia lombar, ou dor ciática. Com forte impacto na qualidade de vida e no desempenho profissional, a condição afeta milhares de brasileiros, sendo uma das principais causas de afastamento do trabalho.
A nova técnica avaliada por um grupo de pesquisadores utiliza a infiltração epidural transforaminal infraneural — um método minimamente invasivo que aplica o medicamento diretamente na área inflamada da coluna. A inovação está na precisão do procedimento, que permite o uso de doses muito menores de corticoides, reduzindo riscos e efeitos colaterais.
O procedimento é realizado com uma agulha de metal mais grossa e rígida, que, guiada por exames de imagem, permite ao profissional atingir com exatidão o ponto de dor sem comprometer estruturas nervosas. Diferente das infiltrações tradicionais, a técnica evita variações anatômicas e garante maior segurança.
Em um grupo de 99 pacientes que não obtiveram alívio com tratamentos convencionais, a infiltração apresentou uma taxa de sucesso de quase 86% após seis meses, com os pacientes livres da dor sem necessidade de cirurgia. A explicação está no fato de que, ao controlar a dor aguda, o organismo ganha tempo para promover a reabsorção natural da hérnia — um processo que pode ocorrer em até 65% dos casos.
A técnica, no entanto, não é indicada para todos. Casos de dor crônica ou com sinais neurológicos graves, como perda de força motora, ainda devem ser tratados com cirurgia. O foco do novo método é justamente permitir o controle da dor em pacientes com quadros moderados, evitando procedimentos invasivos.
Além da eficácia clínica, o procedimento apresenta baixo custo. A agulha utilizada pode ser esterilizada e reutilizada, custando cerca de R$ 150 a R$ 200. O equipamento necessário — um fluoroscópio — está disponível na maioria dos hospitais. Isso faz da técnica uma solução acessível, com potencial para aplicação em larga escala no sistema público de saúde.
Com resultados promissores, os pesquisadores agora pretendem ampliar os testes para outros centros médicos no Brasil e no exterior. O objetivo é comprovar que a eficácia do procedimento independe do profissional que o desenvolveu, validando a técnica para adoção universal.
Esse novo protocolo de tratamento pode representar um divisor de águas no enfrentamento da hérnia de disco, oferecendo alívio rápido, seguro e econômico para uma condição que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo.
