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O número de mortos no grave acidente ferroviário ocorrido no sul da Espanha subiu para 39, segundo informações atualizadas das autoridades. Ao menos 152 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. A colisão envolveu dois trens de alta velocidade e aconteceu na noite de domingo (18), nas proximidades do município de Adamuz, na província de Córdoba.

O acidente ocorreu por volta das 19h45 (horário local), quando uma das composições descarrilou, invadiu a via contrária e colidiu com outro trem que seguia no sentido oposto. Com o impacto, vários vagões ficaram retorcidos e tombados, dificultando o acesso das equipes de resgate.

Resgate durante a madrugada

Vídeos feitos por testemunhas mostram equipes de emergência atuando durante a noite, utilizando holofotes para retirar passageiros presos nos vagões danificados. Alguns conseguiram sair pelas janelas quebradas, enquanto outros precisaram ser retirados em macas, em meio aos destroços.

Havia cerca de 400 passageiros nos dois trens no momento da colisão, a maioria espanhóis que viajavam de ida e volta para Madrid após o fim de semana. Não há confirmação sobre o número de turistas a bordo.

Hospitais da região entraram em estado de alerta, e unidades de atendimento provisórias foram montadas para prestar os primeiros socorros às vítimas.

O acidente provocou forte impacto no sistema ferroviário entre Madrid e a região da Andaluzia. Mais de 200 trens foram cancelados ao longo desta segunda-feira (19), afetando ligações com cidades estratégicas como Córdoba, Sevilha e Granada.

Passageiros foram orientados a buscar meios alternativos de transporte, enquanto equipes técnicas trabalham na liberação segura do trecho afetado.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou compromissos oficiais e passou a acompanhar diretamente o caso. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que as causas do acidente ainda são desconhecidas e que uma investigação técnica foi aberta para apurar responsabilidades.

Até o momento, nenhuma hipótese foi descartada.

Como funciona o sistema de trens de alta velocidade da Espanha

A tragédia ocorre em um país que possui o maior sistema de trens de alta velocidade da Europa e um dos mais extensos do mundo. A rede foi inaugurada em 1992, com a linha Madrid–Sevilha, e se consolidou como um pilar da mobilidade nacional.

Atualmente, o sistema conta com cerca de 4.000 quilômetros de linhas, conectando Madrid às principais capitais regionais. Os trens operam a velocidades de até 300 km/h, utilizam bitola internacional, sistemas avançados de controle e sinalização e transportam dezenas de milhões de passageiros por ano. Em diversas rotas internas, o trem de alta velocidade se tornou a principal alternativa ao transporte aéreo.

Denúncias de passageiros e funcionários

Meses antes do acidente em Adamuz, alertas já vinham sendo feitos por funcionários do sistema ferroviário e por passageiros. No verão passado, maquinistas advertiram para a degradação da infraestrutura, apontando que o aumento do número de trens em circulação e o maior peso das composições modernas estariam acelerando o desgaste das vias.

Como medida preventiva, os profissionais solicitaram a redução da velocidade máxima operacional para 250 km/h. O alerta foi formalizado por meio de uma carta do sindicato SEMAF ao gestor da infraestrutura Adif AV, à Agencia Estatal de Seguridad Ferroviaria e ao Ministério dos Transportes.

Além disso, passageiros também relataram experiências preocupantes. Em novembro de 2025, uma usuária da Renfe publicou um vídeo após uma viagem entre Sevilha e Zaragoza, descrevendo fortes vibrações em determinados trechos, o que teria causado apreensão generalizada entre os ocupantes do trem.

Embora não haja confirmação de ligação direta entre esses relatos e o acidente, as denúncias passaram a integrar o contexto analisado pelas autoridades, por indicarem que sinais de alerta já vinham sendo percebidos antes da tragédia.

70 mortos em 2013

O episódio reacende a memória de uma das maiores tragédias ferroviárias da história recente da Espanha. Em 2013, um trem descarrilou nas proximidades de Santiago de Compostela, no noroeste do país, deixando mais de 70 mortos e centenas de feridos.

Na ocasião, a composição fazia o trajeto entre Madrid e a cidade costeira de Ferrol quando saiu dos trilhos em uma curva. As investigações apontaram excesso de velocidade e falhas operacionais. O acidente foi considerado, à época, o pior desastre ferroviário espanhol em cerca de quatro décadas.

Especialistas avaliam que, apesar do alto nível tecnológico do sistema, o histórico reforça a importância de manutenção rigorosa, controle operacional permanente e resposta rápida a alertas técnicos, pontos que voltam ao centro do debate após a tragédia atual.

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