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O governo do Irã confirmou que cerca de 2 mil pessoas morreram durante os confrontos relacionados aos protestos que se espalharam pelo país nas últimas semanas. A informação foi revelada por uma autoridade iraniana em declaração à imprensa internacional e representa a primeira admissão oficial de um número tão elevado de vítimas desde o início da repressão.

Segundo o governo, o total inclui manifestantes e integrantes das forças de segurança, embora não tenha sido apresentado um balanço detalhado sobre o perfil das vítimas ou a distribuição das mortes por região. As autoridades atribuem parte da violência à atuação de grupos classificados pelo regime como “terroristas”, acusados de se infiltrar nos protestos e promover ataques contra agentes do Estado.

Veículos internacionais como Reuters, Associated Press, BBC News, The Guardian e Al Jazeera destacaram que a admissão oficial ocorre após semanas de relatos conflitantes e estimativas independentes significativamente menores, mas ainda consideradas alarmantes.

Os protestos tiveram início em meio ao agravamento da crise econômica, marcada por inflação elevada, desemprego e dificuldades no acesso a bens básicos. Com o avanço das manifestações, os atos passaram a incorporar críticas diretas ao regime religioso que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979, sendo apontados por analistas internacionais como o maior desafio interno ao governo iraniano em anos.

Antes do reconhecimento oficial, organizações de direitos humanos citadas por meios como a CNN Internacional e a France 24 estimavam mais de 500 mortos e pelo menos 10 mil pessoas presas, alertando que os números poderiam estar subestimados devido às severas restrições de comunicação impostas pelo Estado.

A repressão incluiu apagões de internet, bloqueios a redes sociais e limitações ao trabalho da imprensa, dificultando a verificação independente dos fatos. Mesmo assim, imagens divulgadas por emissoras internacionais mostram confrontos noturnos, disparos, incêndios e forte presença das forças de segurança em diversas cidades.

A situação gerou forte reação externa. A Organização das Nações Unidas classificou como extremamente preocupantes os relatos de mortes em larga escala, prisões em massa e ameaças de aplicação da pena de morte contra manifestantes. Governos europeus e norte-americanos, segundo reportagens da imprensa internacional, avaliam novas medidas diplomáticas e sanções.

Apesar de reconhecerem que parte das reivindicações populares é legítima, as autoridades iranianas afirmam que manterão uma linha dura na segurança para evitar o que chamam de desordem social. Especialistas ouvidos por veículos estrangeiros avaliam que a confirmação oficial do número de mortos expõe a gravidade da crise e tende a ampliar o isolamento internacional do Irã.

Destaques ISN

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