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O termo “chegou ao andar de cima” foi usado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para classificar a dimensão da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) contra um esquema bilionário de lavagem e sonegação de impostos ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Para ele, a ação conjunta entre Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público conseguiu atingir não apenas operadores de fachada, mas também o núcleo financeiro que sustenta o crime organizado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou a ofensiva, chamando-a de “a maior resposta do Estado ao crime organizado de nossa história até aqui”. Lula ressaltou que a operação é fruto da criação do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, vinculado ao Ministério da Justiça, e destacou a importância de cortar a fonte de recursos das facções.

Já o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que o país enfrenta um fenômeno observado em várias partes do mundo: a migração de organizações criminosas da ilegalidade para a legalidade. Ele enfatizou que o combate a esse tipo de crime não pode depender apenas da polícia, mas exige atuação integrada de diferentes órgãos do Estado, especialmente da Receita Federal.

Além das autoridades federais, o Ministério Público de São Paulo alertou que o PCC vinha se infiltrando de maneira estruturada na economia formal, principalmente nos setores de combustíveis e financeiro. O secretário de Segurança Pública paulista, Guilherme Derrite, afirmou que a ação representa “um passo para asfixiar economicamente” a facção criminosa, atingindo sua capacidade de financiamento.

Segundo as investigações, o esquema envolvia a adulteração de combustíveis em pelo menos 300 postos de São Paulo e o controle de cerca de 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em mais de R$ 30 bilhões. A Receita Federal calcula que mais de R$ 7,6 bilhões em impostos foram sonegados.

Com o avanço da operação, mais de 350 pessoas e empresas foram alvo de mandados de prisão e busca e apreensão em oito estados. Até o final da tarde, os trabalhos ainda estavam em andamento, com apreensão de documentos, bloqueio de bens e coleta de provas.

A expectativa do governo é que a operação sirva como marco para reforçar as propostas em tramitação no Congresso, como a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei apelidado de “Plano Real da Segurança”, que prevê penas mais duras para integrantes e líderes de facções e milícias.

Foto: Ricardo Lewandowski e Fernando Haddad durente coletiva de imprensa

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