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Um avião da Ryanair no aeroporto de Sófia, na Bulgária, onde foram relatados seis incidentes A Ryanair foi a companhia aérea mais afetada, com oito casos relatados Fotografia Stoyan Nenov Reuters
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Uma sequência de ameaças de bomba provocou transtornos no transporte aéreo europeu ao longo desta semana. Pelo menos 33 voos foram afetados desde segunda-feira (2), segundo levantamento publicado pelo jornal britânico The Guardian nesta quinta-feira (5). Somente nesta quinta, foram registradas pelo menos 25 novas ameaças, com impactos em aeroportos de diferentes países.

Apesar da mobilização de autoridades e forças militares, todas as ocorrências haviam sido consideradas alarmes falsos até a publicação das informações. Nenhum explosivo ou objeto suspeito foi encontrado nas aeronaves inspecionadas.

Os episódios atingiram aeroportos de Londres, Birmingham, Bruxelas, Madri, Milão, Praga, Roma, Sófia e Varsóvia, entre outros. Algumas aeronaves foram desviadas, enquanto outras receberam escolta de caças militares ou passaram por inspeções de segurança.

Imagem mostra a rota dos voos que sofreram mudanças na rota. Imagem gerada por IA

De acordo com o The Guardian, não existe um padrão claramente identificado sobre a escolha dos aeroportos e das companhias aéreas. Entretanto, cidades italianas aparecem com frequência nos registros. Sófia, na Bulgária, e Milão, na Itália, contabilizaram seis ocorrências cada. Roma teve cinco, enquanto Praga registrou quatro.

A Ryanair foi a companhia mais afetada, com oito casos identificados ao longo da semana. Também houve ocorrências envolvendo empresas como Wizz Air, Finnair e Aer Lingus.

Entre os episódios de maior repercussão está o voo da Aer Lingus que saiu de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma. A aeronave precisou ser desviada para uma base militar francesa, em Évreux, onde pousou em segurança.

Outro caso envolveu um avião da Wizz Air que fazia o trajeto entre Milão e Varsóvia. A aeronave foi desviada para Viena, na Áustria.

Quem está por trás das ameaças?

A origem dos alertas ainda não foi identificada. Segundo o The Guardian, não existem informações de inteligência que apontem diretamente para um grupo específico ou para algum governo estrangeiro, embora autoridades europeias estejam preocupadas com possíveis ações de guerra híbrida.

Em alguns episódios, as ameaças teriam sido enviadas por e-mails anônimos. Mensagens encaminhadas a aeroportos de Roma e Milão, por exemplo, continham informações sobre números dos voos, companhias aéreas e horários de pouso.

A agência italiana Ansa informou que os alertas relacionados a voos com destino a Roma foram enviados por mensagens anônimas em italiano. O The Guardian também destacou que, embora ameaças falsas aconteçam com frequência, o volume registrado nesta semana é considerado incomum por especialistas em aviação.

Com destino a Roma, aeronave da Aer Lingus precisou pousar na França devido a uma ameaça de bomba. Reproducão/BBC

Movimento extremista russo aparece em mensagens

Outra informação relevante foi divulgada pela agência AFP. Segundo a publicação, algumas mensagens enviadas a aeroportos de Roma e Sófia reivindicavam os ataques em nome do movimento russo de extrema direita Male State. Os textos continham ameaças de explosões e mensagens de caráter misógino.

Entretanto, a AFP ressaltou que não conseguiu confirmar qualquer ligação entre o grupo e os responsáveis pelos alertas. Também não há comprovação de envolvimento do governo russo.

O comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, afirmou que ainda é cedo para determinar se os episódios possuem relação entre si. Ele classificou como inaceitáveis as ameaças contra civis.

Por que as ameaças preocupam as autoridades?

Especialistas ouvidos pelo The Guardian apontam que a sequência de alertas pode provocar impactos que vão além dos atrasos e desvios de aeronaves. Uma possível campanha coordenada teria capacidade de gerar insegurança entre passageiros, pressionar companhias aéreas e mobilizar recursos de segurança em diferentes países. O fenômeno também levanta preocupações sobre a chamada guerra híbrida, que envolve ações de desestabilização sem necessariamente recorrer a confrontos militares diretos.

Por enquanto, porém, não há evidências suficientes para afirmar que os episódios façam parte de uma operação organizada por algum país ou grupo específico.

Mesmo sem explosivos encontrados, a repetição das ameaças colocou autoridades aeroportuárias europeias em alerta e ampliou a preocupação com a segurança do transporte aéreo no continente.

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