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eleições em Israel
Reprodução internet
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Mundo – Israel realiza nesta terça-feira (27) eleições gerais que podem redefinir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O pleito ocorre pela primeira vez desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram mais de 1.200 mortos e resultaram no sequestro de 251 pessoas, segundo os dados citados no levantamento.

A votação acontece em um cenário de críticas ao governo pela condução da guerra na Faixa de Gaza e de disputas internas sobre segurança, serviço militar obrigatório e políticas de assentamento na Cisjordânia ocupada.

De acordo com o Comitê Central Eleitoral de Israel, cerca de 7,3 milhões de eleitores estão registrados para votar em aproximadamente 12 mil seções eleitorais. O voto é facultativo para cidadãos israelenses a partir dos 18 anos.

Pesquisas apontam dificuldade para formar maioria

As pesquisas pré-eleitorais indicam que o bloco de partidos liderado por Netanyahu pode não conquistar a maioria parlamentar necessária para formar governo.

Uma sondagem do Channel 13 News citada na reportagem projeta que o bloco do primeiro-ministro teria 50 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Atualmente, o grupo conta com 64 assentos.

Para alcançar a maioria absoluta, são necessárias pelo menos 61 cadeiras. Como nenhum partido costuma reunir sozinho esse número, a formação de coalizões é parte central do sistema político israelense.

O principal adversário de Netanyahu é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel. Mesmo que a oposição conquiste mais cadeiras, as projeções indicam que ela também poderá precisar negociar com partidos menores, incluindo siglas árabes, para formar uma coalizão.

As pesquisas representam estimativas anteriores à votação e não determinam o resultado final.

Guerra em Gaza influencia a disputa

O pleito ocorre após quase três anos de conflito iniciado com os ataques do Hamas em outubro de 2023. Em resposta, o governo israelense lançou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Segundo os números apresentados na reportagem, mais de 75 mil pessoas morreram no território palestino desde o início da guerra.

A condução do conflito, a situação dos reféns, a estratégia militar e a ausência de uma perspectiva duradoura de resolução estão entre os temas que pressionam o governo.

Netanyahu também enfrenta críticas relacionadas à sua permanência no poder, às acusações de corrupção e às concessões feitas para manter o apoio de partidos religiosos e da direita nacionalista.

Como funciona a eleição em Israel?

Israel adota o sistema parlamentarista. O presidente Isaac Herzog exerce a função de chefe de Estado, enquanto o primeiro-ministro lidera o governo e conduz a administração do país.

Os eleitores escolhem os partidos que ocuparão as 120 cadeiras do Knesset. Para participar da distribuição de assentos, uma legenda precisa superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.

Após a definição da composição parlamentar, começam as negociações para formar uma coalizão capaz de obter apoio majoritário. O presidente consulta os representantes políticos e encarrega um parlamentar de tentar formar o governo.

Esse modelo torna os partidos menores potencialmente decisivos. Mesmo uma legenda com votação expressiva pode ter dificuldade para governar se não conseguir reunir aliados suficientes.

Quem são os principais adversários de Netanyahu?

Além do primeiro-ministro, a disputa envolve lideranças com trajetórias distintas e propostas que combinam diferentes posições sobre segurança, economia e organização do Estado.

Gadi Eisenkot

Ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eisenkot lidera o partido Yashar, criado em 2025. Ele ganhou espaço como crítico da condução da guerra pelo governo e questiona a falta de uma estratégia clara para o conflito.

Seu perfil de militar de carreira é um dos elementos centrais de sua imagem pública. Eisenkot também perdeu um filho na guerra em Gaza.

Apesar das críticas a Netanyahu, sua trajetória militar não indica necessariamente uma mudança profunda na política de segurança israelense.

Naftali Bennett e Yair Lapid

Os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid também aparecem entre os principais nomes da oposição. Em 2021, os dois articularam uma coalizão que retirou Netanyahu do poder após 12 anos consecutivos de governo.

A administração reuniu partidos de diferentes orientações ideológicas, incluindo uma legenda árabe islâmica, e durou cerca de 18 meses.

Na disputa atual, Bennett e Lapid se uniram em uma nova articulação política, identificada na reportagem como Juntos, ou Beyachad. Entre os temas defendidos pelo grupo estão reformas internas e mudanças na política de recrutamento militar dos judeus ultraortodoxos.

Avigdor Lieberman

Ex-ministro da Defesa e antigo aliado de Netanyahu, Lieberman rompeu com o primeiro-ministro em 2018, alegando discordâncias sobre a resposta a grupos armados palestinos em Gaza.

Desde então, tornou-se um crítico frequente do governo. Sua posição política é marcada por uma linha dura em questões de segurança nacional.

Os partidos que disputam o Parlamento

O Likud, partido de direita liderado por Netanyahu, é a principal força da coalizão governista. A legenda está no poder desde 2009, com uma interrupção entre junho de 2021 e dezembro de 2022.

Entre seus aliados estão o Sionismo Religioso, liderado por Bezalel Smotrich, e o Poder Judaico, de Itamar Ben-Gvir. Ambos defendem posições nacionalistas e políticas rígidas em relação aos palestinos.

A coalizão também enfrentou divergências com partidos ultraortodoxos sobre o recrutamento militar obrigatório. O Judaísmo Unido da Torá deixou o governo em meio à disputa sobre a isenção desse grupo do serviço militar.

Para manter o apoio de seus parceiros, Netanyahu fez concessões em temas como o recrutamento de ultraortodoxos e o financiamento de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. O governo também apoiou iniciativas legislativas que geraram controvérsia sobre instituições públicas e meios de comunicação.

Do lado oposicionista, o Yashar, de Eisenkot, busca atrair eleitores insatisfeitos com o governo. A aliança de Bennett e Lapid aparece como outra força relevante nas projeções.

Participação eleitoral pode ser decisiva

A disputa não depende apenas da quantidade de cadeiras conquistadas por cada bloco, mas também da capacidade de mobilizar eleitores e negociar alianças depois da apuração.

O historiador João Koatz Miragaya, mestre pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil-Israel, avalia que Netanyahu tenta impedir que a oposição alcance uma maioria capaz de formar governo. Segundo ele, o primeiro-ministro também precisa mobilizar eleitores moderados descontentes com sua administração.

Já Michel Gherman, professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos, aponta a possibilidade de maior participação entre grupos urbanos, seculares e árabes, que historicamente registram menor comparecimento às urnas.

O resultado deverá definir não apenas a composição do Parlamento, mas também o equilíbrio entre os partidos que negociarão a formação do próximo governo israelense.

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