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Juiz de Fora – Morreu um militar aposentado do Exército que havia sido resgatado em condições de extrema vulnerabilidade em uma residência no bairro Quinta das Avenidas, em Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. O idoso, de 88 anos, foi sepultado na quarta-feira (16), no Cemitério Parque da Saudade. A causa da morte não foi divulgada.
O caso ganhou repercussão em maio, quando uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada para uma residência na Rua Nestor Vasconcelos. Inicialmente, o atendimento havia sido solicitado para verificar um possível óbito, mas os socorristas encontraram o homem vivo e em estado grave.
Segundo informações do Samu-Cisdeste e da Polícia Civil, o idoso apresentava desidratação, debilidade física, desconforto respiratório e múltiplas lesões, incluindo ferimentos graves no joelho esquerdo e no lado direito do tórax, além de uma sutura recente no rosto.
Ele foi encaminhado ao Hospital Geral do Exército para receber atendimento médico.
Filha foi investigada por maus-tratos
A filha do idoso, de 55 anos, era responsável pelos cuidados com o pai e passou a ser investigada pela Polícia Civil. Na ocasião do resgate, ela afirmou que a falta de higiene no cômodo estava relacionada à rotina familiar e disse que pretendia contratar cuidadores profissionais com ajuda de um irmão que morava no Rio de Janeiro.
Durante o atendimento da ocorrência, policiais também relataram comportamento hostil da mulher e do marido.
A filha chegou a receber voz de prisão no local, mas foi encaminhada à delegacia, prestou depoimento e acabou liberada para responder ao processo em liberdade.
Investigação apontou condições de extrema vulnerabilidade
A Polícia Civil concluiu o inquérito em junho e indiciou a mulher por maus-tratos contra o pai.
De acordo com o delegado Rodolfo Rolli, titular do Núcleo de Atendimento ao Idoso de Juiz de Fora, a investigação considerou dois exames de corpo de delito realizados pelo Instituto Médico-Legal (IML). Também foram ouvidos o médico do Samu, uma técnica de enfermagem, um socorrista, policiais militares e o marido da investigada.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário após a conclusão do inquérito.
O artigo 99 do Estatuto da Pessoa Idosa prevê punição para quem expõe a perigo a integridade ou a saúde física ou psíquica de uma pessoa idosa, submetendo-a a condições degradantes ou deixando de oferecer cuidados indispensáveis quando existe obrigação de prestá-los. Quando há lesão corporal grave, a pena prevista é de três a sete anos de reclusão.
Morte ocorreu meses após o resgate
O falecimento aconteceu cerca de quatro meses depois do atendimento que levou o idoso ao hospital. Até o momento, não foi divulgada informação oficial relacionando a morte às condições em que ele foi encontrado em maio.
Por isso, a morte e a investigação por maus-tratos devem ser tratadas como fatos distintos, sem estabelecer uma relação de causa e efeito que não foi confirmada pelas autoridades.

