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Dark Horse
Reprodução internet
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Política – Uma perícia contratada pela produtora Go Up Entertainment aponta que 72% dos R$ 75 milhões gastos na produção de “Dark Horse” foram utilizados nos Estados Unidos. Segundo o relatório, entregue à Polícia Civil de São Paulo, os gastos no exterior ultrapassaram R$ 54 milhões, enquanto R$ 20,92 milhões foram movimentados no Brasil.

O filme, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está no centro de uma investigação que apura a origem e a movimentação dos recursos usados para financiar a produção. O longa tem o ator americano Jim Caviezel no papel de Bolsonaro.

O documento analisado pela perícia afirma que 100% dos recursos destinados à produção vieram da Havengate Development Fund LP, mas não identifica nominalmente todos os investidores responsáveis pelos aportes.

Quanto foi gasto na produção de Dark Horse?

De acordo com o laudo, o custo total analisado foi de aproximadamente R$ 75 milhões.

Desse montante:

  • mais de R$ 54 milhões, ou cerca de 72%, foram gastos nos Estados Unidos;
  • R$ 20,92 milhões foram movimentados no Brasil.

Os valores correspondem às despesas relacionadas às diferentes etapas da produção do filme.

Entre os gastos registrados nos Estados Unidos estão US$ 383,1 mil em desenvolvimento do projeto, US$ 2,66 milhões em pré-produção, US$ 1,97 milhão em filmagens e US$ 1,95 milhão em pós-produção, além de outras despesas.

Perito nega uso de recursos públicos

O perito Anísio Castelo Branco, contratado pela própria Go Up Entertainment, afirmou à CNN Brasil que não identificou transferências entre os recursos utilizados na produção de “Dark Horse” e projetos públicos ligados ao Instituto Conhecer Brasil.

A entidade é vinculada à empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment. O Instituto Conhecer Brasil firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital.

Segundo Castelo Branco, as movimentações financeiras relacionadas ao filme ocorreram em uma conta exclusiva para a produção.

“Não, a movimentação do filme acontece em conta exclusiva para a finalidade da obra. Não existe nenhum pagamento relacionado a projetos públicos na empresa ou em suas contas bancárias”, afirmou o perito à CNN Brasil.

A declaração integra a versão apresentada pela perícia contratada pela produtora. A investigação oficial ainda busca esclarecer a origem e o destino dos recursos.

Investigação apura possível relação com contrato público

A Polícia Civil de São Paulo investiga se houve alguma conexão entre os recursos empregados no filme e valores relacionados a um contrato público firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.

A apuração também considera a estrutura financeira das entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama. No início de junho, a Polícia Federal realizou uma operação envolvendo o Instituto para verificar questões relacionadas ao cumprimento do contrato, à existência de licitação e à eventual transferência de recursos para outras entidades.

No inquérito da Polícia Civil, a empresária apresentou relatórios financeiros com receitas e despesas das organizações sob sua responsabilidade.

R$ 18,47 milhões foram movimentados por Pix no Brasil

Dos R$ 20,92 milhões movimentados no Brasil, a perícia aponta que R$ 18,47 milhões, equivalentes a 88,29%, foram pagos por meio de Pix.

Outros R$ 2,34 milhões, ou 11,18%, foram pagos por boleto.

O laudo informa que foram analisados extratos bancários e documentos financeiros fornecidos pela produtora. O documento, porém, não apresenta a identificação nominal de todos os destinatários finais dos pagamentos. Segundo a justificativa apresentada pelo responsável pela perícia, a ausência está relacionada à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Produção no Brasil teve atores americanos e centenas de profissionais

Apesar de a maior parte dos recursos ter sido contabilizada nos Estados Unidos, a produção também envolveu uma estrutura significativa no Brasil.

Segundo o laudo, as filmagens brasileiras contaram com uma equipe binacional formada por 11 atores americanos, mais de 800 figurantes e aproximadamente 350 profissionais durante dois meses de produção.

Entre as despesas brasileiras citadas estão contratação de elenco e figurantes, equipe técnica, direção, equipamentos de filmagem, cenografia, figurino, efeitos especiais, passagens aéreas, transporte, hospedagem e alimentação.

Também foram registrados gastos com infraestrutura, geradores, segurança privada e escoltas, suporte administrativo e jurídico e contratação de fornecedores locais.

Investigação sobre o financiamento continua

O inquérito também busca rastrear cerca de R$ 61 milhões que teriam sido repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa e verificar se houve irregularidades nos pagamentos ou eventual contrapartida relacionada ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

O caso tramita sob sigilo.

Na segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal tivesse acesso aos dados de uma operação envolvendo a produtora. Segundo a CNN Brasil, as informações foram recebidas pela PF na noite de quarta-feira (26).

A perícia contratada pela Go Up apresenta uma versão sobre a origem e a aplicação dos recursos, mas a investigação policial ainda está em andamento. Portanto, os dados do laudo não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a existência ou não de irregularidades no financiamento de “Dark Horse”.

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