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Juiz de Fora – Um homem de 30 anos foi agredido após ser acusado de furtar um pacote de biscoitos em uma distribuidora no Centro de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. O caso aconteceu na noite de sexta-feira (21), na Avenida Getúlio Vargas.
Segundo o Boletim de Ocorrência (BO), o homem entrou no estabelecimento com o pacote de biscoitos, que havia comprado anteriormente em um supermercado próximo, para comprar um suco. Ao deixar a loja, ele foi abordado por um dos responsáveis pelo comércio, de 70 anos, que questionou se o produto havia sido pago.
O cliente afirmou que tinha a nota fiscal da compra. Antes que pudesse esclarecer a situação, porém, o filho do comerciante, de 37 anos, deu um chute no peito dele.
Nota fiscal comprovou a compra, segundo a PM
Ainda conforme o registro policial, o homem agredido apresentou a nota fiscal depois do golpe. Ao verificar o documento, o filho do proprietário reconheceu que havia ocorrido um equívoco.
Segundo o BO, ele pediu desculpas à vítima e perguntou se ela havia se machucado.
O comerciante afirmou aos policiais que recebeu uma ligação da mãe informando que o pai estaria sendo agredido dentro do estabelecimento. Ao chegar ao local, disse ter visto os dois envolvidos em uma briga e alegou que deu o chute para defender o pai.
O homem de 30 anos foi encaminhado ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS) de Juiz de Fora. Ele passou por avaliação médica e exame de raio-X, mas, segundo o registro da ocorrência, não foram constatadas lesões.
Grupo se concentra em frente ao estabelecimento
Durante o atendimento da ocorrência, cerca de 30 pessoas se concentraram em frente à loja. De acordo com a Polícia Militar, parte do grupo estava exaltada, com gritos e palavras de ordem.
Os policiais permaneceram no local para impedir que a situação se agravasse. Segundo a PM, havia risco de agressões contra os comerciantes e de invasão do estabelecimento.
Diante da aglomeração, os dois envolvidos apontados na ocorrência foram encaminhados à delegacia.
A Polícia Militar registrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Os envolvidos foram orientados e liberados.
Em nota, a Polícia Civil informou que a ocorrência foi registrada pela PM e encaminhada ao Juizado Especial Criminal (Jecrim), responsável, em geral, pelo julgamento de infrações de menor potencial ofensivo, como contravenções e crimes com pena máxima de até dois anos.
O estabelecimento onde ocorreu o caso foi procurado para comentar a situação.
Família denuncia racismo e agressão contra pessoa com deficiência
Além da agressão, a família do homem afirma que o episódio também envolve racismo e violência contra uma pessoa com deficiência (PCD).
O caso passou a ser acompanhado pelo Disk Racismo da Ouvidoria Popular Antirracista de Juiz de Fora. Segundo Carina Dantas, advogada e coordenadora da equipe jurídica do projeto, diligências estão sendo realizadas para avaliar as providências cabíveis.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (24), a entidade afirmou que acompanha o caso a partir da versão apresentada pela família. O projeto informou ainda que oferece acolhimento psicológico e assistência social à vítima e aos familiares.
A denúncia de racismo ainda está sendo apurada e não significa, neste momento, que a prática tenha sido judicialmente reconhecida.
O Disk Racismo informou que atua de forma independente e gratuita. O projeto também disponibiliza atendimento para formalização de denúncias.
O que acontece agora?
O registro feito pela Polícia Militar será analisado pelo Juizado Especial Criminal, enquanto as alegações relacionadas a racismo e à condição da vítima como pessoa com deficiência poderão ser objeto de apuração própria.
O caso chama atenção também para a importância da verificação dos fatos antes de qualquer acusação. Neste episódio, conforme o boletim de ocorrência, a nota fiscal apresentada posteriormente indicou que o produto havia sido comprado em outro estabelecimento.
Até a última atualização, o estabelecimento não havia apresentado manifestação pública sobre o caso.

