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Mundo – Trump diz que EUA negociam parcialmente com o Irã: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (9) que o país mantém negociações “discretas” com o Irã, apesar da falta de avanços públicos nas conversas e da posição de Teerã de que não há negociação direta neste momento.
Em entrevista por telefone ao Axios, Trump disse que os Estados Unidos estão “negociando parcialmente” com o governo iraniano e afirmou que pretende manter a pressão econômica sobre o país.
A declaração ocorre durante uma pausa considerada frágil nos ataques entre os dois lados, enquanto questões envolvendo o acordo provisório firmado em junho e o Estreito de Ormuz continuam dificultando uma possível retomada das negociações.
Irã nega negociação direta com os Estados Unidos
Mais cedo no domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país não está negociando diretamente com os Estados Unidos.
Segundo o chanceler iraniano, Teerã não pretende retomar as negociações enquanto Washington continuar violando os compromissos previstos no acordo inicial firmado em junho.
A divergência entre as declarações dos dois governos deixa incerto o andamento dos esforços diplomáticos para reduzir a tensão entre os países.
Enquanto Trump fala em negociações parciais e discretas, o governo iraniano sustenta que não haverá diálogo direto até que os Estados Unidos cumpram os termos acordados anteriormente.
Trump afirma que Irã enfrenta dificuldades econômicas
Na entrevista ao Axios, Trump afirmou que o Irã atravessa uma situação econômica difícil, mencionando a inflação elevada e a falta de recursos financeiros.
O presidente americano também declarou que o país não teria dinheiro para pagar seus soldados.
A fala ocorre em meio à estratégia de Washington de aumentar a pressão econômica sobre Teerã enquanto as hostilidades militares permanecem em uma pausa.
EUA aumentam produção de armas
Em paralelo às discussões diplomáticas, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos solicitou aos fornecedores militares americanos que ampliem a produção de armas.
A medida ocorre diante da preocupação com a redução dos estoques militares durante a guerra com o Irã.
O movimento sinaliza que, apesar das conversas mencionadas por Trump, os Estados Unidos continuam se preparando para a possibilidade de prolongamento do conflito.
Estreito de Ormuz continua no centro das negociações
Outro ponto de atenção é o Estreito de Ormuz, importante rota marítima para o transporte internacional de petróleo.
Irã e Omã estariam próximos de um entendimento sobre a administração da via, mas o chefe da segurança nacional iraniana apresentou, no sábado (8), uma lista de exigências que os Estados Unidos precisariam cumprir antes da reabertura do estreito.
As condições reduziram as expectativas de que o transporte de petróleo pela região seja ampliado imediatamente.
A situação também deve ser acompanhada pelos mercados internacionais, especialmente pelos contratos futuros de petróleo, diante do impacto que qualquer restrição prolongada no estreito pode provocar sobre o fluxo da commodity.
Conflito também envolve grupos aliados do Irã
A tensão não se limita diretamente aos Estados Unidos e ao Irã.
O Exército do Iêmen afirmou ter impedido um novo ataque de rebeldes houthis apoiados pelo Irã. A declaração ocorreu horas depois de o grupo reivindicar ataques contra forças da Arábia Saudita no país.
A atuação dos houthis amplia o risco de que grupos aliados de Teerã participem de novos episódios de violência e contribuam para a expansão do conflito para outras áreas do Oriente Médio.
Por enquanto, as declarações de Washington e Teerã mostram posições diferentes sobre a existência e o estágio das negociações. Enquanto Trump afirma que os dois países mantêm contatos discretos, o governo iraniano condiciona qualquer diálogo direto ao cumprimento de compromissos assumidos anteriormente pelos Estados Unidos.

