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peruanos na guerra da Ucrânia
Reprodução internet
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Mundo – O governo do Peru confirmou que 11 cidadãos peruanos morreram após se alistarem nas Forças Armadas da Rússia e serem enviados para o conflito guerra da Ucrânia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores peruano, outros 114 peruanos estão desaparecidos e três foram capturados pelo Exército ucraniano.

O novo balanço foi divulgado neste domingo (9), enquanto o governo peruano anunciou a repatriação de dois jovens que, segundo a chancelaria, foram vítimas de recrutamento forçado para atuar na guerra.

Ao todo, 459 cidadãos peruanos foram oficialmente identificados como tendo se alistado nas Forças Armadas russas.

Dois peruanos são resgatados e retornam ao país

O consulado do Peru na Rússia coordenou a retirada de dois jovens considerados em situação de vulnerabilidade. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, eles conseguiram escapar do recrutamento forçado.

Os dois já retornaram ao Peru e estão com suas famílias.

Eles se juntam a outros dois peruanos que receberam assistência consular no fim de julho. Ao todo, 31 cidadãos peruanos já foram retirados da situação relacionada a guerra da Ucrânia.

Desse total, 28 retornaram ao Peru e três permanecem na Europa por decisão própria, segundo a chancelaria.

Governo alerta sobre falsas ofertas de emprego

O Ministério das Relações Exteriores do Peru também fez um alerta para que cidadãos tenham cuidado com ofertas de trabalho no exterior.

Segundo a chancelaria, falsas oportunidades de emprego podem ser utilizadas por redes criminosas de tráfico de pessoas para recrutar trabalhadores e levá-los para situações de exploração ou participação em conflitos armados.

O governo peruano também ressaltou que o serviço militar para um Estado estrangeiro exige autorização prévia.

Famílias procuram parentes desaparecidos

O novo balanço ocorre após meses de mobilização de familiares que buscam informações sobre peruanos que viajaram para a Rússia e posteriormente foram incorporados às forças russas.

Familiares participaram de protestos e vigílias em frente à Embaixada da Rússia em Lima e diante do Ministério das Relações Exteriores do Peru.

Segundo relatos reunidos pela imprensa, alguns homens viajaram para a Rússia após receberem ofertas de trabalho como cozinheiros, seguranças ou para outras funções civis.

As famílias afirmam que não esperavam que os parentes fossem incorporados às forças russas ou enviados para áreas de combate.

Pedro Bravo, diretor de Comunidades Peruanas no Exterior da Chancelaria peruana, afirmou que muitos dos recrutados vêm de famílias em situação de pobreza e enfrentam dificuldades financeiras, circunstâncias que podem aumentar a vulnerabilidade a ofertas fraudulentas.

Peru investiga possível tráfico de pessoas

Diante das denúncias apresentadas por familiares, o Ministério Público do Peru anunciou em maio uma investigação sobre possíveis casos de tráfico de pessoas relacionados ao recrutamento de cidadãos para a guerra da Ucrânia.

Segundo uma ordem do Ministério Público obtida pela imprensa, 36 denúncias estavam sendo investigadas. Os relatos apontam que cidadãos peruanos teriam sido atraídos por falsas ofertas de trabalho no exterior e posteriormente submetidos à participação forçada no conflito entre Rússia e Ucrânia.

O governo peruano afirma ter feito pelo menos 247 solicitações a Moscou em busca de informações sobre cidadãos peruanos incorporados às Forças Armadas russas.

As autoridades também pediram o retorno seguro dos peruanos que teriam deixado o país sem a autorização necessária para prestar serviço militar estrangeiro.

Rússia afirma respeitar decisão de estrangeiros

A Embaixada da Rússia em Lima afirmou, em comunicado divulgado em abril, que respeita a decisão de cidadãos estrangeiros de participar da defesa da soberania e da segurança russas.

A representação diplomática também declarou estar disposta a tomar medidas para obter informações sobre os peruanos, a partir das solicitações apresentadas formalmente pelo governo do Peru.

Enquanto as autoridades tentam localizar os desaparecidos, famílias continuam buscando informações sobre parentes que viajaram para a Rússia acreditando que trabalhariam em funções civis.

O caso também levantou preocupações sobre possíveis redes de recrutamento e tráfico de pessoas que utilizariam falsas ofertas de emprego para atrair cidadãos estrangeiros para o conflito.

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