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Mundo – A erupção do vulcão Fuego, na Guatemala, entrou em uma fase considerada “explosiva crítica” pelas autoridades e obrigou milhares de moradores de comunidades próximas a deixarem suas casas. A atividade vulcânica começou a se intensificar na segunda-feira (3), com emissão de lava, cinzas e fluxos piroclásticos.
Até terça-feira (4), pelo menos 1.699 pessoas haviam sido retiradas das áreas próximas ao vulcão, segundo as autoridades guatemaltecas. Outras 29 mil pessoas foram afetadas pela queda de cinzas, de acordo com a agência nacional de gestão de desastres, a Conred.
O vulcão está localizado a aproximadamente 50 quilômetros a sudoeste da Cidade da Guatemala.
Cinzas chegam a 120 quilômetros do vulcão
A atividade do Fuego provocou a formação de colunas de cinzas que alcançaram mais de 5 mil metros de altitude.
Segundo Edwin Rojas, diretor do Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia da Guatemala, as cinzas se espalharam por até 120 quilômetros, atingindo áreas distantes do vulcão.
“A atividade do vulcão Fuego continua em uma fase explosiva crítica”, afirmou Rojas durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (4).
Além das cinzas, as autoridades acompanham a descida de fluxos piroclásticos pelas ravinas ao redor do vulcão. Esses fluxos são formados por uma mistura extremamente quente de gases, cinzas e fragmentos de rocha que pode se deslocar rapidamente pelas encostas.
Três regiões estão em alerta vermelho
Pelo menos três regiões próximas ao Fuego decretaram alerta vermelho, o nível máximo de alerta utilizado pelas autoridades locais.
A Conred tenta convencer moradores que ainda permanecem nas áreas de risco a procurar abrigos. A retirada, entretanto, enfrenta dificuldades porque a legislação da agência não permite obrigar diretamente todas as famílias a deixarem suas casas.
“Infelizmente, a lei da Conred não é coercitiva. Não é como em outros países, onde as autoridades dizem: ‘Precisamos evacuar’, e todos evacuam. Aqui, trata-se de uma recomendação. Por isso, estamos indo de casa em casa para convencer as famílias a deixar a área”, explicou Claudinne Ogaldes, secretária-executiva da Conred.
Segundo Ogaldes, 18 comunidades já foram afetadas pela fumaça e pela emissão de cinzas.
Até a atualização das autoridades, não haviam sido registrados fluxos de lava atingindo áreas habitadas nem danos a residências.
Moradores resistem à retirada por medo de saques
O ministro da Defesa da Guatemala, Henry Saenz, afirmou que forças de segurança vão patrulhar as regiões afetadas.
Uma das preocupações apontadas pelas autoridades é o receio de moradores de deixar as próprias casas por causa de possíveis saques.
A presença de agentes de segurança tem como objetivo reforçar a proteção das comunidades durante a retirada e dar mais confiança às famílias que ainda resistem em abandonar temporariamente suas residências.
Enquanto a atividade do vulcão permanece intensa, as autoridades seguem incentivando a população das áreas de risco a procurar os abrigos disponibilizados.
Cinzas afetam espaço aéreo próximo ao México
A erupção também provocou impactos no tráfego aéreo.
A Direção-Geral de Aviação Civil da Guatemala emitiu um alerta aos pilotos informando que as cinzas vulcânicas estão afetando o espaço aéreo a oeste e sudoeste do Fuego, alcançando a região próxima à fronteira com o México.
Apesar da presença de cinzas na atmosfera, o principal aeroporto internacional da Guatemala continua funcionando.
A dispersão das partículas vulcânicas é monitorada pelas autoridades devido aos riscos que as cinzas podem representar para aeronaves.
Aulas são suspensas e acesso a vulcões é restringido
A atividade do Fuego também provocou mudanças na rotina das comunidades próximas.
As aulas foram suspensas em alguns municípios, enquanto a Conred repassou informações ao Ministério da Educação para que novas medidas possam ser avaliadas de acordo com a evolução da erupção.
O acesso turístico aos vulcões Acatenango e Fuego foi restringido por tempo indeterminado.
A Conred também interditou preventivamente a Rodovia Nacional 14, uma das principais vias de acesso à cidade de Alotenango.
As medidas buscam reduzir a circulação de pessoas nas áreas que podem ser afetadas pela atividade vulcânica.
Vulcão Fuego está entre os mais ativos da América Central
O Fuego é considerado um dos vulcões mais ativos da América Central e possui histórico de erupções de grande impacto.
Em 2018, uma erupção provocou centenas de mortes e desaparecimentos, segundo a Conred.
O episódio deixou comunidades inteiras afetadas por fluxos piroclásticos e cinzas e se tornou um dos eventos vulcânicos mais graves da história recente da Guatemala.
A lembrança da tragédia aumenta a preocupação das autoridades diante da atual intensificação da atividade.
Autoridades monitoram vulcão pelas próximas 72 horas
A atividade do Fuego continuará sendo monitorada de perto pelas autoridades guatemaltecas.
A Conred informou que a evolução da erupção será acompanhada especialmente durante as próximas 72 horas, período considerado importante para avaliar se a atividade continuará aumentando, permanecerá estável ou começará a diminuir.
Enquanto isso, as autoridades mantêm os alertas, as restrições de acesso e as recomendações para que moradores das regiões afetadas deixem as áreas de risco.
A prioridade é reduzir a exposição da população aos fluxos piroclásticos, à fumaça e às cinzas enquanto os especialistas acompanham o comportamento do vulcão.

