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Netanyahu
Reprodução internet

Mundo – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país não pretende retirar suas tropas das posições atuais na Faixa de Gaza enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado. A declaração foi feita em um pronunciamento em vídeo divulgado na terça-feira (4), em meio às negociações sobre um novo plano de cessar-fogo promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Netanyahu afirmou que a proposta apresentada ainda é uma minuta e que ele não deu seu consentimento ao acordo.

“Israel não recuará de suas linhas atuais até que o Hamas esteja completamente desarmado”, declarou o primeiro-ministro.

A posição evidencia um dos principais obstáculos para o avanço do plano, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelenses de Gaza.

Plano de Trump prevê desarmamento e retirada gradual de Israel

Na quinta-feira passada, Trump anunciou o que classificou como um “marco importante” para a implementação de um plano de paz para Gaza acordado em outubro.

A proposta prevê uma série de etapas, entre elas o desarmamento do Hamas, a retirada progressiva das tropas israelenses, a entrada de uma nova administração palestina e a criação de uma Força Internacional de Estabilização.

O roteiro mais recente possui 15 pontos, menos do que os 20 itens da proposta inicial apresentada por Trump. O documento passou por alterações desde sua primeira versão e detalha como o controle das armas em Gaza poderia ser transferido.

O Conselho de Paz apoiado pelos Estados Unidos é responsável por supervisionar a implementação do acordo de longo prazo.

Como funcionaria o desarmamento do Hamas

O roteiro revisado prevê que as armas policiais sejam transferidas para o controle do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) depois que o órgão palestino entrar no território.

O plano também estabelece regras para armas de uso pessoal e para armamentos pertencentes a milícias que não sejam incorporadas às novas forças policiais ou de segurança.

Essas armas deverão ser desativadas e armazenadas sob a autoridade do CNAG.

O documento prevê ainda o início de um processo para desativar e armazenar armas pesadas, instalações de produção militar e túneis utilizados por grupos armados.

Essa etapa estaria vinculada à retirada gradual das forças israelenses das áreas de Gaza que permanecem sob seu controle.

Ao final do processo, segundo o roteiro, apenas o CNAG deverá armazenar e controlar as armas existentes no território.

Hamas aceita proposta, mas impõe condições

O Hamas afirmou que aceita o plano de desarmamento, mas condicionou sua implementação ao cumprimento de outras partes do acordo.

Ghazi Hamad, integrante da liderança do grupo, disse à CNN que o Hamas não iniciará o processo relacionado às armas enquanto Israel não cumprir suas obrigações previstas no acordo de cessar-fogo de outubro.

“O acordo é um pacote completo”, afirmou Hamad.

Segundo ele, Israel precisa interromper os ataques, suspender assassinatos seletivos em Gaza, retirar suas tropas para a chamada Linha Amarela e permitir o aumento da entrada de ajuda humanitária.

O Hamas também exige que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza entre no território e assuma a administração da Faixa.

Hamas diz que armas pesadas serão armazenadas

Há também uma divergência sobre o destino do armamento pesado.

Segundo Hamad, as armas pesadas do Hamas não deverão ser destruídas nem desativadas. A posição apresentada pelo grupo é que esse armamento seja armazenado sob supervisão do Comitê Nacional para a Administração de Gaza.

Essa interpretação diverge dos detalhes apresentados no roteiro revisado, que prevê um processo de desativação e armazenamento de armas pesadas, além de estruturas de produção militar e túneis.

A diferença de entendimento pode se tornar um dos principais pontos de negociação antes que o plano avance para a próxima etapa.

Israel mantém posição sobre retirada das tropas

A questão territorial também permanece sem solução.

O ministro da Defesa de Israel já havia afirmado, no domingo (2), que as tropas israelenses não deixariam suas posições em Gaza antes que o Hamas fosse desarmado e seus túneis destruídos.

Netanyahu reforçou essa posição no pronunciamento divulgado na terça-feira.

Enquanto isso, o roteiro apoiado pelos Estados Unidos estabelece que o processo de desarmamento deverá estar ligado a uma retirada israelense realizada em fases.

Assim, as duas condições estão diretamente conectadas: o Hamas condiciona o desarmamento ao cumprimento das obrigações de Israel, enquanto o governo israelense condiciona a retirada de suas forças ao desarmamento do grupo palestino.

Negociações continuam para tentar destravar o acordo

Nikolay Mladenov, enviado para Gaza da equipe de paz de Trump, participou na segunda-feira (3) de uma reunião com Netanyahu e outras autoridades israelenses.

A equipe de Trump classificou o encontro como “construtivo e detalhado”.

O governo americano afirma que o plano deverá ser implementado em fases e incluir a retirada das forças israelenses, a criação de uma força internacional e a formação de uma nova estrutura de segurança palestina.

Trump também afirmou que o processo foi mediado por autoridades do Egito, Catar e Turquia.

Antes de qualquer avanço para a segunda fase, entretanto, todos os requisitos previstos para a primeira etapa deverão ser cumpridos e verificados.

Nova administração palestina deverá assumir Gaza

Uma das peças centrais do plano é o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por palestinos tecnocratas escolhidos pelo Conselho de Paz.

O grupo deverá assumir a administração da Faixa de Gaza depois que as condições previstas para a segunda fase forem cumpridas.

A proposta prevê que a nova estrutura palestina seja responsável pela administração do território e pelo controle das armas, enquanto uma Força Internacional de Estabilização atuaria na área de segurança.

O plano também prevê reconstrução e recuperação econômica de Gaza, com supervisão do Conselho de Paz.

Acordo ainda depende de novas etapas

Apesar de Trump ter anunciado o desarmamento do Hamas como um avanço importante, a implementação do plano ainda depende de uma série de condições.

Israel afirma que não recuará de suas posições sem o desarmamento completo do Hamas. O grupo palestino, por sua vez, diz que não iniciará o processo de entrega ou armazenamento de armas antes que Israel cumpra as obrigações estabelecidas no cessar-fogo.

Além disso, o funcionamento do CNAG, a entrada da Força Internacional de Estabilização e o cronograma da retirada israelense ainda precisam ser definidos.

O principal desafio agora é transformar o compromisso anunciado pelas partes em medidas concretas, especialmente diante das diferentes interpretações sobre quando o desarmamento deve começar e quando Israel deverá retirar suas forças de Gaza.

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