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Política – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou um pedido na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para que seja investigada a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25), em São Paulo. A ação solicita a apuração da natureza da visita e do financiamento das atividades do chefe de Estado argentino durante sua passagem pelo Brasil.

Segundo os advogados da coligação, a investigação deve verificar se houve uso de recursos públicos ou estruturas estatais para viabilizar a agenda político-partidária.

Pedido questiona financiamento da visita de Milei

Na representação apresentada à PGE, a Federação PT/PV/PCdoB pede que o Ministério Público Eleitoral apure quem financiou a participação de Javier Milei na convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Entre os pontos levantados, a campanha questiona se foram utilizados recursos do governo argentino para custear a viagem ou se houve apoio financeiro do Partido Liberal, de particulares ou de outras fontes.

Os advogados também pedem que seja verificado se houve utilização de estrutura do Estado de São Paulo para favorecer ou potencializar um ato de natureza eleitoral.

Advogados citam possibilidade de cooperação internacional

No documento, a defesa da campanha de Lula afirma que a identificação da origem dos recursos utilizados na visita permitirá avaliar se o custeio ocorreu em conformidade com a legislação eleitoral e constitucional brasileira.

Caso sejam constatadas irregularidades, os advogados sustentam que a Procuradoria-Geral da República poderá recorrer a instrumentos de cooperação jurídica internacional, respeitando as normas diplomáticas e os acordos em vigor.

Visita incluiu agenda oficial e participação em convenção

Antes de participar da convenção do PL, Javier Milei foi recebido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes.

Na ocasião, o presidente argentino recebeu a Ordem do Ipiranga, maior honraria concedida pelo Estado de São Paulo, e depois seguiu para o evento partidário.

Durante seu discurso, Milei fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao governo federal e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de comentar a política econômica brasileira.

Governo brasileiro reagiu pelas vias diplomáticas

As declarações do presidente argentino provocaram reação do governo brasileiro.

Integrantes do Itamaraty consideraram as falas inaceitáveis, principalmente por terem ocorrido em território nacional.

Na segunda-feira (27), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli. No dia anterior, o chanceler também conversou com o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar o descontentamento do governo com as declarações de Javier Milei.

Questionado por jornalistas sobre o episódio, Lula respondeu apenas: “Quem é esse cara?”

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