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estudar ouvindo música
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Educação – Estudar ouvindo música é um hábito comum entre estudantes, especialmente em épocas de provas e vestibulares. Mas será que essa prática realmente melhora a concentração? A resposta, segundo especialistas, depende de fatores como o tipo de atividade, o gênero musical e até a familiaridade do estudante com a música escolhida.

Pesquisas na área da neurociência e da musicoterapia mostram que a música pode tanto favorecer quanto prejudicar o aprendizado, dependendo da situação. Por isso, não existe uma regra que funcione para todos.

Estudos apontam resultados diferentes

A ciência ainda não chegou a um consenso sobre os efeitos da música durante os estudos.

Um estudo da Universidade de Wollongong, na Austrália, associou músicas instrumentais e sons suaves à redução do estresse e ao aumento da produtividade em tarefas repetitivas.

Já uma pesquisa do antigo University of Wales Institute, em Cardiff (atualmente Cardiff Metropolitan University) encontrou resultados diferentes. Os participantes que estudaram ouvindo música ou sons variados tiveram desempenho inferior aos que permaneceram em silêncio ou em ambientes com ruídos constantes e previsíveis.

Segundo os pesquisadores, a diferença está relacionada ao tipo de atividade realizada. Enquanto tarefas mecânicas tendem a tolerar melhor a música, atividades que exigem leitura, interpretação e memorização demandam maior concentração.

Músicas com letra podem atrapalhar

Um dos principais pontos de atenção destacados pelos especialistas é o uso de músicas com letra.

Durante a leitura ou a escrita, o cérebro precisa processar informações linguísticas. Quando há uma música cantada ao mesmo tempo, ocorre uma competição entre esses estímulos, o que pode prejudicar a compreensão do conteúdo e a memorização.

Além disso, músicas desconhecidas costumam chamar ainda mais atenção, já que o cérebro tende a priorizar novidades.

Familiaridade faz diferença

Para o psiquiatra e neurocientista Srini Pillay, da Universidade Harvard, a ideia de que apenas música clássica favorece a concentração é um mito.

Segundo ele, diferentes estilos, como pop, hip-hop, country e música clássica, podem contribuir para o foco, inclusive em pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

O fator mais importante, de acordo com o especialista, é a familiaridade com a música. Canções já conhecidas exigem menos processamento cerebral do que músicas novas, permitindo que o estudante mantenha maior atenção na atividade.

Pillay também ressalta que o efeito positivo tende a diminuir quando a mesma música é repetida muitas vezes ou quando desperta fortes emoções, fatores que podem desviar o foco dos estudos.

Música instrumental costuma ser a opção mais indicada

Entre as recomendações mais frequentes está o uso de músicas instrumentais ou sons ambientes, como chuva e ruído branco.

Como não possuem letras, essas opções reduzem a competição entre os circuitos cerebrais responsáveis pela linguagem e aqueles utilizados durante a leitura e a escrita.

Na prática, isso significa que o cérebro consegue dedicar mais recursos à atividade principal.

Musicoterapia explica por que cada pessoa reage de forma diferente

Segundo a musicoterapeuta Danielly Coutinho, formada pelo Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro (CBM Rio), ritmo, melodia e harmonia ativam diferentes áreas do cérebro.

Esses estímulos influenciam aspectos como atenção, concentração e comportamento, mas cada pessoa responde de maneira diferente.

Por isso, uma música que ajuda um estudante a manter o foco pode distrair completamente outro.

Vale a pena estudar ouvindo música?

Especialistas recomendam que cada estudante teste diferentes estratégias para descobrir o que funciona melhor para sua rotina.

Em geral:

  • tarefas de leitura, interpretação e memorização costumam render melhor em silêncio ou com músicas instrumentais;
  • atividades repetitivas podem ser realizadas com música sem grandes prejuízos;
  • sons ambientes e ruído branco também podem favorecer a concentração para algumas pessoas.

Mais do que escolher um estilo musical específico, o importante é observar como o próprio desempenho muda durante os estudos.

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