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Apesar das altas chances de cura quando identificado precocemente, o câncer de cabeça e pescoço ainda é diagnosticado tardiamente na maioria dos pacientes. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 80% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, o que reduz as possibilidades de tratamentos menos agressivos e as chances de cura. Diante desse cenário, o Julho Verde reforça a importância de reconhecer os primeiros sinais da doença e buscar atendimento médico o quanto antes.
Para o cirurgião oncológico Fernando Yaeda, da Imuno Santos, um dos principais desafios é que muitos pacientes demoram para procurar atendimento por acreditarem que os sintomas são decorrentes de problemas simples e passageiros. “Muitas vezes, os primeiros sinais são confundidos com problemas comuns do dia a dia. Aftas que não cicatrizam, dor persistente na garganta, dificuldade para engolir, rouquidão prolongada e o aparecimento de ínguas no pescoço merecem avaliação médica quando persistem por mais de um mês”, explica.
O especialista ressalta que os tumores da região cervical podem surgir diretamente no pescoço, embora isso seja menos frequente. Na maioria dos casos, eles são consequência de tumores originados na cavidade oral, na faringe, na laringe ou no esôfago, manifestando-se principalmente pelo aumento dos linfonodos cervicais.
Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano), especialmente entre pacientes mais jovens. “A prevenção passa pela redução desses fatores de risco, mas também pelo reconhecimento dos sintomas. Quanto mais cedo conseguimos diagnosticar o tumor, maiores são as possibilidades de tratamento e de preservação da qualidade de vida do paciente”, afirma Yaeda.
O tratamento varia conforme o tipo, a localização e o estágio da doença, podendo envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou a combinação dessas abordagens. Além dos aspectos físicos, o especialista destaca que o diagnóstico também exige atenção ao impacto emocional. “O câncer ainda carrega um estigma muito forte, mas a medicina evoluiu muito nos últimos anos. Hoje contamos com tratamentos cada vez mais personalizados, que proporcionam melhores resultados e qualidade de vida. O apoio psicológico também é fundamental para que pacientes e familiares consigam enfrentar todas as etapas do tratamento”, conclui.
