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Juiz de Fora – Uma mulher de 59 anos foi encontrada morta dentro de um centro de umbanda no bairro Morada do Serro, em Juiz de Fora (MG). O caso, registrado no último domingo (28), está sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a causa e a dinâmica da morte.
Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a vítima apresentava quatro perfurações provocadas por arma branca e já estava em rigidez cadavérica quando foi encontrada. Apesar de a perícia apontar que os ferimentos podem ser compatíveis com autolesão, as autoridades afirmam que nenhuma hipótese foi descartada.
Corpo foi encontrado pelo responsável pelo centro
De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), o responsável pelo centro de umbanda, um homem de 77 anos, informou à Polícia Militar que encontrou a mulher caída no imóvel, segurando uma faca.
A perícia técnica foi acionada e realizou os primeiros levantamentos no local. Conforme a análise inicial, as lesões podem ser compatíveis com autolesão, mas apenas a investigação poderá confirmar as circunstâncias da morte.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Homicídios de Juiz de Fora.
Segundo a delegada Camila Miller, responsável pelas investigações, todas as linhas investigativas permanecem abertas.
Vítima morava no imóvel
O responsável pelo centro afirmou aos policiais que acolheu a mulher há cerca de dois meses, a pedido de um integrante da instituição, permitindo que ela permanecesse em um quarto localizado no espaço onde ocorrem as cerimônias religiosas.
Entretanto, um documento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), citado no boletim de ocorrência, apresenta uma informação diferente. Segundo o registro, a mulher residia no local havia aproximadamente nove meses.
A divergência faz parte do material que será analisado pela Polícia Civil durante a investigação.
CRAS registrou relatos de medo e possível violação de direitos
Ainda conforme o documento do CRAS, a vítima relatou que não suportava a pressão exercida pelo responsável pelo imóvel.
Ela afirmou sentir medo e intimidação, além de informar que havia interrompido o tratamento para ansiedade, depressão e transtorno bipolar após receber orientação de que os sintomas teriam origem espiritual.
O documento também registra que ela dizia ser frequentemente pressionada a entregar dinheiro ao homem.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que a mulher era acompanhada pela rede socioassistencial do município. No atendimento mais recente, ela relatou uma possível situação de violação de direitos e foi orientada a procurar a Casa da Mulher.
Segundo o município, porém, não há registro de que ela tenha buscado atendimento na unidade.
Responsável foi autuado por maus-tratos a animais
Durante os trabalhos periciais, equipes encontraram três galos confinados em gaiolas pequenas, sem água e alimentação adequada, além de uma galinha morta no imóvel.
Diante da situação, o responsável pelo centro foi autuado por maus-tratos a animais.
Ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), comprometeu-se a comparecer ao Juizado Especial Criminal e foi liberado.
Enquanto isso, a Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer as circunstâncias da morte da mulher e verificar se houve a participação de terceiros.

