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Mundo – Um caso raro e trágico voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde para os riscos da raiva após contato com morcegos. Um menino canadense de 11 anos morreu em 2024 depois de acordar com um morcego sobre o nariz e a boca durante uma estadia em uma cabana no norte da província de Ontário. O caso foi detalhado em junho deste ano no Canadian Medical Association Journal e reforça a importância de procurar atendimento médico imediato após qualquer contato direto com esses animais.
Embora a doença seja rara em humanos no Canadá, especialistas alertam que a raiva é praticamente fatal após o surgimento dos sintomas, mas pode ser evitada se o tratamento preventivo for iniciado rapidamente.
Como aconteceu o caso
Segundo o relato médico, o menino acordou assustado ao perceber um morcego sobre o rosto. Ele afastou o animal com um movimento brusco, enquanto o pai conseguiu capturá-lo em uma panela e o soltou do lado de fora da cabana.
Como a criança não apresentava marcas aparentes de mordida e o morcego não demonstrava comportamento considerado anormal, a família não procurou atendimento médico.
Dezenove dias depois, porém, o menino começou a apresentar formigamento e dormência no lado direito do rosto, além de inchaço facial e perda de apetite.
Inicialmente, os sintomas foram interpretados como um possível caso de paralisia de Bell associada ao vírus do herpes, e ele recebeu medicamentos para essa condição.
Dias depois, o quadro evoluiu rapidamente, com dificuldade para engolir, vômitos, febre, confusão mental, alucinações e perda dos movimentos de parte do rosto.
Diagnóstico foi confirmado na UTI
Após piora clínica, o menino foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), onde os médicos passaram a suspeitar de raiva.
Um exame de PCR confirmou a infecção no quarto dia de internação. A Agência Canadense de Inspeção de Alimentos também identificou que o vírus era uma variante transmitida por morcegos.
Apesar dos esforços da equipe médica, a criança morreu no 17º dia de internação.
Por que a raiva é tão perigosa?
A raiva é uma doença viral que ataca o sistema nervoso central de seres humanos e outros mamíferos. Depois que os sintomas aparecem, praticamente não há tratamento eficaz, e a infensa maioria dos casos evolui para morte.
A transmissão ocorre principalmente por mordidas ou arranhões de animais infectados, mas também pode acontecer quando a saliva do animal entra em contato com olhos, nariz, boca ou feridas abertas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença está presente em mais de 150 países e provoca dezenas de milhares de mortes todos os anos, principalmente na África e na Ásia.
A entidade destaca ainda que crianças menores de 15 anos representam cerca de 40% das vítimas da doença em todo o mundo.
Morcegos são a principal fonte de transmissão nas Américas
Embora os cães sejam responsáveis por aproximadamente 99% dos casos de raiva em humanos no mundo, a situação é diferente nas Américas.
De acordo com a OMS, como a transmissão por cães está amplamente controlada em diversos países do continente, os morcegos passaram a representar a principal fonte de infecção em humanos.
No Canadá, raposas e gambás também figuram entre os animais que podem transmitir o vírus.
Desde 1924, apenas 28 casos de raiva humana foram registrados no país. O menino foi o primeiro paciente infectado localmente em Ontário desde 1967.
O que fazer após contato com um morcego?
Especialistas reforçam que qualquer contato direto entre pessoas e morcegos deve ser considerado uma situação de alto risco, mesmo quando não há marcas visíveis de mordidas.
Isso ocorre porque os dentes desses animais são extremamente pequenos e podem causar ferimentos quase imperceptíveis.
As autoridades de saúde orientam que, em caso de mordida, arranhão ou contato da saliva do animal com mucosas ou feridas:
- lave imediatamente o local com água e sabão por pelo menos 15 minutos;
- aplique um antisséptico, como álcool isopropílico, quando indicado;
- procure atendimento médico imediatamente para avaliação;
- siga todas as orientações sobre a profilaxia pós-exposição (PPE), que inclui vacina e, quando necessário, imunoglobulina antirrábica.
Quando iniciada antes do aparecimento dos sintomas, a profilaxia é altamente eficaz na prevenção da doença.
Os médicos responsáveis pelo relato reforçam um alerta importante: mesmo sem apresentar sinais evidentes de doença, qualquer morcego que tenha contato direto com uma pessoa deve ser tratado como potencialmente infectado, exigindo avaliação médica imediata.

