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Mundo – Representantes da União Europeia receberam, pela primeira vez, uma delegação do Talibã em Bruxelas, na Bélgica, em uma reunião de nível técnico realizada na terça-feira (23). O encontro marca um novo capítulo nas relações entre o bloco europeu e o governo afegão, que ainda não é oficialmente reconhecido pelos países da UE.
Segundo a Comissão Europeia, as conversas têm como principal objetivo discutir o retorno e a readmissão de cidadãos afegãos que tiveram pedidos de asilo negados. No entanto, a iniciativa gerou críticas de organizações de direitos humanos, que veem a aproximação como uma forma de legitimar o regime islâmico.
União Europeia recebe autoridades do Talibã para tratar de deportações
A reunião em Bruxelas foi copresidida por representantes da Comissão Europeia e da Suécia, contando ainda com a participação de delegados de 15 países do bloco. O encontro deu continuidade às conversas realizadas em janeiro, em Cabul, capital do Afeganistão.
De acordo com um porta-voz da Comissão Europeia, as negociações tiveram caráter técnico e se concentraram no retorno de cidadãos afegãos sem autorização para permanecer em território europeu.
Já o Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão informou que a pauta foi mais ampla, incluindo a retomada de serviços consulares para afegãos residentes na Europa e medidas voltadas para o fortalecimento da confiança entre as partes.
Organizações de direitos humanos criticam aproximação
A decisão de promover o encontro provocou reações negativas de ativistas e entidades internacionais. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai afirmou que a Europa não deve legitimar um regime responsável por graves violações de direitos humanos.
Jeff Crisp, ex-chefe de Desenvolvimento e Avaliação de Políticas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e pesquisador da Universidade de Oxford, alertou para os riscos enfrentados por afegãos deportados, que poderiam sofrer perseguições ao retornar ao país.
Talibã continua impondo restrições às mulheres
Desde que retomou o poder, há cinco anos, o Talibã vem ampliando as restrições à população, especialmente às mulheres. O regime proibiu meninas de frequentarem escolas além do ensino fundamental, restringiu a participação feminina no mercado de trabalho e estabeleceu normas que limitam a liberdade de expressão e de circulação.
Apesar das negociações em andamento, a União Europeia e seus Estados-membros seguem sem reconhecer oficialmente o governo do Talibã.

