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Economia – As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram nova queda em maio de 2026, reforçando uma tendência observada desde o início do ciclo tarifário adotado pelo governo americano. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram retração de 14% nas vendas ao mercado norte-americano em comparação com o mesmo período do ano passado.
Apesar do recuo, técnicos do governo afirmam que ainda é cedo para concluir que exista uma mudança estrutural nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Exportações para Estados Unidos seguem em queda
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,09 bilhões em maio, enquanto as importações vindas do país chegaram a US$ 3,21 bilhões.
O resultado gerou déficit comercial de US$ 121 milhões no mês.
No acumulado entre janeiro e maio, o cenário segue pressionado:
Comércio Brasil-EUA de janeiro a maio:
- Exportações: US$ 14,01 bilhões, queda de 16%
- Importações: US$ 15,48 bilhões, retração de 12,6%
- Déficit comercial: US$ 1,47 bilhão
A participação americana nas exportações brasileiras também perdeu espaço, caindo de 12% para 9,7% na comparação anual.
Governo evita falar em mudança estrutural
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, afirmou que os dados ainda precisam ser observados por mais tempo antes de indicar uma transformação permanente.
Segundo ele, o comportamento do comércio exterior costuma reagir lentamente a choques tarifários e depende do perfil dos produtos comercializados.
Brandão destacou ainda que o ritmo das quedas perdeu intensidade nos últimos meses.
Após retrações de 35% em outubro e 26% em janeiro, as reduções mensais passaram a oscilar entre 10% e 20%, indicando desaceleração do movimento.
China amplia espaço nas exportações brasileiras
Enquanto o comércio com os Estados Unidos perde força, a China ampliou sua posição como principal parceiro comercial do Brasil.
Em maio:
- Exportações para a China: US$ 10,5 bilhões, alta de 9,5%
- Importações da China: US$ 6,8 bilhões, avanço de 24,2%
- Superávit comercial: US$ 3,7 bilhões
Nos cinco primeiros meses do ano, o Brasil acumulou:
- Exportações: US$ 43,26 bilhões, crescimento de 21,8%
- Importações: US$ 30,76 bilhões, alta de 4,1%
- Superávit: US$ 15,5 bilhões
A participação chinesa na pauta exportadora nacional passou de 32,1% para 32,9%.
Petróleo e combustíveis influenciam resultado comercial
O setor energético teve forte influência sobre a balança comercial brasileira.
As exportações de combustíveis derivados de petróleo registraram crescimento expressivo:
- Volume exportado: +75,2%
- Valor exportado: +49,8%
Segundo o Mdic, conflitos no Oriente Médio elevaram preços internacionais e impulsionaram parte desse desempenho.
Já o petróleo bruto apresentou movimento oposto:
- Valor exportado: queda de 9,3%
- Volume embarcado: retração de 42,1%
Superávit brasileiro cresce em 2026
Mesmo com o enfraquecimento das exportações para os Estados Unidos, o saldo comercial brasileiro segue positivo.
Entre janeiro e maio, o país acumulou superávit de US$ 32,66 bilhões, acima dos US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
O resultado foi sustentado principalmente pelo avanço das exportações para a China e pelo peso das commodities na pauta exportadora nacional.

