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Mundo – O Líbano viveu um dos dias mais violentos desde o anúncio do cessar-fogo com Israel após uma sequência de bombardeios que matou ao menos 31 pessoas e deixou dezenas de feridos. Segundo autoridades libanesas, mais de 120 ataques aéreos foram registrados na terça-feira (26), ampliando a tensão no Oriente Médio em meio a tréguas consideradas frágeis.
Os bombardeios atingiram principalmente regiões do sul e do leste do Líbano, incluindo áreas próximas a patrimônios históricos e estruturas estratégicas do país.
Ataques intensificam crise mesmo após cessar-fogo
Os confrontos ocorrem pouco mais de um mês após o anúncio de uma trégua, em 16 de abril, que buscava reduzir os combates entre Israel e o Hezbollah.
Apesar do acordo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que as forças armadas ampliaram as operações militares no território libanês.
Segundo Netanyahu, o objetivo seria reforçar a chamada “faixa de segurança” no sul do país para proteger comunidades israelenses próximas da fronteira.
A escalada acontece paralelamente ao aumento da tensão regional envolvendo o Irã, os Estados Unidos e grupos aliados no Oriente Médio.
Bombardeios atingiram cidades e áreas históricas
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques deixaram ao menos 31 mortos e 40 feridos nas últimas horas.
A agência estatal libanesa informou que 14 pessoas morreram apenas na cidade de Burj al-Shamali, entre elas duas crianças e três mulheres.
Alguns bombardeios ocorreram próximos ao Castelo de Beaufort, fortaleza medieval considerada um dos castelos históricos mais preservados da região pelo UNESCO.
Ataques também foram registrados nas proximidades da represa de Qaraoun, maior reservatório de água do Líbano.
Hezbollah reage com drones e foguetes
O Hezbollah afirmou ter atacado forças israelenses que avançavam em direção à cidade de Zawtar al-Sharqiya, no sul do Líbano.
Segundo o grupo, foram utilizados drones explosivos, foguetes e artilharia contra tropas e tanques israelenses.
Fontes ligadas à segurança afirmam que Israel expandiu operações terrestres além da chamada “Linha Amarela”, uma zona tampão criada no sul do território libanês.
As forças israelenses também teriam ordenado que moradores não retornassem a dezenas de vilarejos próximos da fronteira.
Número de mortos cresce desde retomada do conflito
O Ministério da Saúde libanês informou que mais de 3.200 pessoas morreram desde o início da atual ofensiva israelense em março deste ano. O número de feridos já ultrapassa 9.700.
Já o Exército israelense declarou que dez soldados morreram desde o cessar-fogo de abril, sendo parte deles vítimas de ataques com drones do Hezbollah.
A Organização Mundial da Saúde afirmou que pelo menos 608 pessoas morreram no Líbano desde o anúncio da trégua.
O Hezbollah não divulgou oficialmente o número de integrantes mortos no conflito.
Especialistas alertam para risco de nova escalada regional
Analistas internacionais avaliam que os ataques aumentam o risco de expansão do conflito no Oriente Médio, especialmente diante das tensões envolvendo Irã, Israel e grupos armados aliados na região.
A continuidade dos bombardeios mesmo após acordos de cessar-fogo evidencia a fragilidade diplomática atual e amplia preocupações sobre impactos humanitários, deslocamentos populacionais e destruição de infraestrutura civil.
Enquanto isso, moradores do sul do Líbano seguem enfrentando deslocamentos, destruição de casas e medo de novos ataques em uma região marcada por décadas de confrontos.

