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Papa Leão XIV IA
Reprodução Wikimedia
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Mundo – O papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas” (“Magnífica Humanidade”), na qual faz alertas sobre os impactos da inteligência artificial na sociedade, no mercado de trabalho e nos conflitos armados.

No documento de quase 43 mil palavras, o pontífice defende regulamentações internacionais para controlar o avanço da IA e afirma que decisões letais não devem ser entregues a sistemas artificiais.

Papa critica uso militar da inteligência artificial

Um dos principais pontos da encíclica aborda o uso da IA em guerras e operações militares.

Segundo Leão XIV, a revolução digital está transformando a natureza dos conflitos modernos por meio de ciberataques, campanhas de desinformação e automatização de decisões estratégicas.

“O desenvolvimento e a utilização da IA na guerra devem estar sujeitos às mais rigorosas restrições éticas”, escreveu o pontífice.

Em um dos trechos mais fortes do texto, o papa afirma que “não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais”.

O líder da Igreja Católica também alertou para o crescimento do complexo militar-industrial e para o risco de normalização da guerra nas relações internacionais.

Encíclica pede regulamentação internacional

Ao longo do documento, Leão XIV demonstra preocupação com o poder concentrado em empresas privadas de tecnologia.

Segundo o papa, grandes corporações transnacionais passaram a possuir influência tecnológica superior à de muitos governos, o que dificulta o controle público sobre sistemas de inteligência artificial.

O pontífice defendeu a criação de marcos legais robustos, supervisão independente e regulamentações globais para evitar abusos.

“A propriedade dos dados não pode ser deixada exclusivamente em mãos privadas”, afirma a encíclica.

O texto também pede mais prudência no desenvolvimento acelerado da IA e afirma que desacelerar determinados avanços não significa rejeitar o progresso tecnológico.

Papa relaciona desinformação e risco ao totalitarismo

Outro ponto de destaque da encíclica é o impacto da desinformação nas democracias.

Segundo Leão XIV, a manipulação de informações e o enfraquecimento do compromisso com a verdade representam riscos crescentes para a sociedade.

“A indiferença à verdade leva, lenta mas seguramente, a uma descida ao totalitarismo”, escreveu.

O pontífice também alertou sobre plataformas digitais que monetizam atenção e tempo dos usuários, defendendo maior participação de governos, escolas e famílias na educação digital.

Documento aborda empregos e automação

A encíclica ainda trata dos efeitos da automação e da robótica sobre o mercado de trabalho.

Leão XIV afirmou que o avanço tecnológico não pode servir como justificativa para eliminar empregos em busca de lucro.

“A proteção das oportunidades de emprego e o papel insubstituível do indivíduo devem permanecer a regra geral”, destacou.

Segundo o papa, a chamada “mão invisível do mercado” não é suficiente para lidar com os impactos sociais da inteligência artificial, tornando necessária a cooperação internacional para proteger trabalhadores e países mais vulneráveis.

Documento pode ampliar tensão com Trump

A publicação da encíclica ocorre em meio a divergências recentes entre o Vaticano e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente sobre tecnologia, segurança e política internacional.

Analistas avaliam que a defesa de regulamentações globais para inteligência artificial pode ampliar debates entre líderes políticos e religiosos sobre os limites éticos do avanço tecnológico.

A encíclica “Magnifica Humanitas” é o primeiro grande documento doutrinário publicado por Leão XIV desde o início de seu pontificado.

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