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A Polícia Federal realiza, nesta sexta-feira (15/5), busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e empresários ligados à Refit. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, apura fraudes fiscais, ocultação patrimonial e evasão de recursos ao exterior. São cumpridos 17 mandados em três estados, além do bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos do grupo investigado.
A Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira, investiga a atuação de um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de usar estrutura societária e financeira para ocultar bens e recursos. Entre os alvos está Cláudio Castro, que acompanhou as buscas em sua residência, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, junto com seus advogados.
O empresário Ricardo Magro, dono da Refit, também é alvo da ação, que solicita sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol, lista dos mais procurados do mundo. A operação ocorre nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal, abrangendo 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de cargos públicos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros do grupo Refit e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. A ação integra apurações relacionadas à ADPF das Favelas, ajuizada em 2019 pelo PSB, que busca reduzir a letalidade em operações policiais em comunidades do Rio.
Investigações apontam que a antiga refinaria de Manguinhos recebeu, em 2023, incentivo fiscal do governo de Cláudio Castro para expansão no setor de óleo diesel, reforçando suspeitas de favorecimento e fraudes fiscais. A ação também mira outros ex-agentes públicos, como o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador Renan Saad.
Atualmente, o Rio de Janeiro está sob governo interino do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, após a renúncia de Castro em março, um dia antes da retomada do julgamento de sua inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Castro pretende concorrer ao Senado nas eleições de outubro.
A Refit já havia sido alvo da Operação Poço de Lobato, em novembro, que investigou supostas fraudes fiscais envolvendo órgãos federais e estaduais, abrangendo 190 alvos em cinco estados.
A operação da PF reforça o acompanhamento judicial sobre a atuação de conglomerados econômicos e ex-agentes públicos no Rio de Janeiro, enquanto o STF ainda decide sobre a forma de escolha do próximo governador em meio à vacância nos cargos de chefe do Executivo estadual.

