Alunos de Santos representam o Brasil em desafio mundial de matemática na França
Foto divulgação
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A etapa final da Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras, na França, conta com apenas uma escola da Baixada Santista entre as 25 delegações brasileiras classificadas para a competição. Ao todo, 11 alunos de Santos foram para Salon-de-Provence, no sul do país, onde participam do desafio.

Os estudantes são da Maple Bear Santos, têm entre 14 e 16 anos e cursam do 8º ano do Ensino Fundamental ao 2º ano do Ensino Médio. Esta é a primeira vez que uma delegação brasileira participa da etapa internacional da olimpíada.

A classificação é resultado do desempenho obtido em 2025, quando a escola conquistou 95 premiações na fase nacional – sendo 16 medalhas de bronze, 67 de prata e 12 de ouro – alcançando o status de “escola ouro”.

Preparação e desempenho

De acordo com a professora Ariel Nascimento Santos, coordenadora de Matemática e do High School da escola, o resultado reflete um trabalho contínuo de incentivo às olimpíadas acadêmicas.

“Temos um trabalho estruturado desde 2021, com um departamento dedicado a esse calendário. A participação dos alunos é voluntária, e o foco não está apenas no resultado, mas na experiência e na construção coletiva do conhecimento”, afirma.

Somente em 2025, a escola soma 230 medalhas em competições de matemática.

Competição em equipe

A Olimpíada Matemática Sem Fronteiras tem como diferencial o formato colaborativo. As provas são realizadas em equipe e exigem raciocínio lógico, estratégia e interpretação de problemas.

A avaliação vai além do conteúdo teórico, incluindo habilidades como gestão do tempo, cooperação e tomada de decisão em grupo.

“É uma experiência que desenvolve competências acadêmicas e sociais ao mesmo tempo. A matemática ganha sentido quando trabalhada de forma dialógica”, explica Ariel.

Experiência internacional e projetos

Além das provas, os estudantes participam de atividades culturais e acadêmicas ao longo da programação.

Entre os destaques está a apresentação de projetos que conectam matemática, história e ciência. Um deles estabelece um paralelo entre soluções de engenharia hidráulica na França e no Brasil, relacionando o engenheiro francês Adam de Craponne, responsável por obras contra a seca na região de Salon, e o engenheiro sanitarista brasileiro Saturnino de Brito, que projetou o sistema de canais de Santos.

Os alunos também participam de uma feira de matemática, com jogos, livros e atividades desenvolvidas na escola, além de uma investigação temática inspirada em um caso histórico envolvendo a morte de Craponne.

Impacto na formação

Segundo a coordenadora, a experiência internacional contribui diretamente para a forma como os alunos se relacionam com o conhecimento.

“Não existe cidadania sem pensamento matemático. O mundo é permeado por números, relações econômicas e decisões baseadas em dados. Entendemos que esse conhecimento é construído a partir do raciocínio lógico. Não é sobre repetição ou memorização, é sobre compreender e pensar”.

Programação e retorno

A delegação também participa de atividades culturais em Saint-Rémy-de-Provence, cidade onde nasceu o médico e astrólogo francês Nostradamus. A programação se encerra com a cerimônia de premiação.

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