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Economia – A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil permanece significativa, mesmo diante de avanços recentes no mercado de trabalho. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que as mulheres ganham, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas com mais de 100 funcionários.
O levantamento faz parte do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado após a implementação da Lei da Igualdade Salarial, em vigor desde 2023.
Diferença salarial se mantém estável
Apesar de políticas públicas voltadas à equidade, a desigualdade salarial permanece praticamente inalterada nos últimos anos.
- Em 2023: diferença de 20,7%
- Em 2025: 21,2%
- Em 2026: 21,3%
Na prática, isso significa que as mulheres recebem, em média, 78,7% do salário dos homens.
Em valores absolutos:
- Salário médio feminino: R$ 3.965,94
- Salário médio masculino: R$ 5.039,68
Cresce a presença feminina no mercado formal
Se por um lado a desigualdade persiste, por outro há avanços importantes na participação das mulheres no mercado de trabalho.
Desde 2023, houve crescimento de 11% na contratação feminina, com aumento de cerca de 800 mil trabalhadoras com carteira assinada:
- De 7,2 milhões para 8 milhões de mulheres empregadas
Entre mulheres negras, o avanço foi ainda mais expressivo:
- Crescimento de 29%
- De 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos formais
Esse movimento indica maior inclusão, embora ainda distante da igualdade plena.
O que explica a desigualdade salarial
Especialistas apontam fatores estruturais que ajudam a explicar a diferença:
- Maior tempo médio de permanência dos homens nas empresas
- Critérios de promoção baseados em tempo de casa
- Barreiras históricas no acesso a cargos de liderança
Na prática, mesmo com aumento de contratações e melhora nos rendimentos, o avanço masculino também continua, mantendo a distância.
Empresas ampliam políticas de inclusão
O relatório também mostra mudanças internas nas empresas, com crescimento de iniciativas voltadas à equidade:
- Jornada flexível: de 40,6% para 53,9% das empresas
- Auxílio-creche: de 22,9% para 38,4%
- Licenças estendidas (maternidade e paternidade): de 20% para 29,9%
- Planos de cargos e salários: de 55,5% para 66,8%
Além disso, aumentou o número de empresas que afirmam promover mulheres, passando de 63,8% para 75,7%.
Desafio econômico para reduzir a diferença
Segundo o estudo, para que a renda das mulheres alcance proporcionalmente a dos homens, seria necessário um aumento expressivo na massa salarial feminina.
A estimativa indica que seriam necessários cerca de R$ 95,5 bilhões adicionais para equilibrar essa diferença no país.
Esse cenário evidencia um desafio: equilibrar justiça salarial e impacto financeiro para as empresas.
O que esperar daqui para frente
A estabilidade da desigualdade salarial levanta uma questão importante: apenas aumentar contratações é suficiente para reduzir a diferença?
Os dados indicam que não. Embora mais mulheres estejam empregadas, a equiparação salarial depende de mudanças estruturais mais profundas, como critérios de promoção, políticas de remuneração e acesso a cargos estratégicos.
Enquanto isso, o Brasil avança em inclusão, mas ainda caminha lentamente rumo à igualdade salarial.
