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Brasil – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a restringir a abertura de múltiplos pedidos para o mesmo tipo de benefício, como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A medida tem como objetivo reduzir a fila de análise, que chegou a cerca de 2,8 milhões de solicitações em março.
A nova regra foi estabelecida por instrução normativa publicada no Diário Oficial da União e já está em vigor.
O que muda com a nova regra do INSS
A principal mudança é que o segurado não poderá fazer um novo pedido para o mesmo benefício enquanto ainda estiver dentro do prazo de recurso da solicitação anterior.
Na prática, funciona assim:
- Após um pedido negado, o cidadão tem até 30 dias para recorrer
- Durante esse período, não será permitido abrir um novo requerimento do mesmo tipo
- Um novo pedido só poderá ser feito após o fim desse prazo
Segundo o INSS, a data considerada para análise continuará sendo a do primeiro pedido, chamada de DER (Data de Entrada do Requerimento).
Quais benefícios são afetados
A limitação vale para:
- Aposentadorias
- Pensões
- Benefício de Prestação Continuada (BPC)
Por outro lado, não se aplica a:
- Pedidos de revisão
- Benefícios por incapacidade, como auxílio-doença
Por que o INSS adotou a medida
De acordo com o órgão, o sistema vinha sendo sobrecarregado por pedidos repetidos. Dados internos mostram que:
- 41,41% das solicitações são reapresentadas até 30 dias após a primeira resposta
- 22,47% são feitas novamente entre 91 e 180 dias
- Em alguns casos, há repetição no mesmo dia
Esse volume de solicitações duplicadas cria múltiplos protocolos para a mesma demanda, dificultando o andamento da fila.
Especialistas apontam possíveis impactos
A mudança divide opiniões entre especialistas em direito previdenciário.
Alguns apontam que a regra pode ajudar a organizar o fluxo de análise e dar mais agilidade aos pedidos iniciais.
Outros alertam para possíveis prejuízos ao segurado. Isso porque, como os recursos podem demorar para ser analisados, o cidadão ficaria impedido de fazer um novo pedido enquanto aguarda resposta, o que pode atrasar o acesso ao benefício.
Contexto: pressão para reduzir a fila
A decisão ocorre em meio a esforços do governo federal para reduzir o tempo de reduzir a fila por benefícios previdenciários. A fila elevada tem sido um dos principais desafios da gestão e motivou mudanças na presidência do INSS.
Além dessa medida, o governo também aposta em outras estratégias, como:
- Uso de inteligência artificial para concessão automática de benefícios
- Contratação de novos médicos peritos
- Programas de incentivo para servidores acelerarem análises
O que o segurado deve fazer agora
Na prática, a orientação é redobrar a atenção antes de solicitar um benefício:
- Verifique se toda a documentação está correta antes do pedido
- Em caso de negativa, avalie se é melhor recorrer ou aguardar para fazer novo requerimento
- Fique atento aos prazos, especialmente o de 30 dias para recurso
Cada decisão pode impactar diretamente o tempo de análise e o acesso ao benefício.
Medida busca equilíbrio, mas levanta dúvidas
A limitação de pedidos é uma tentativa de “destravar” o sistema, mas abre um debate importante: como equilibrar eficiência administrativa e o direito do cidadão de buscar seu benefício?
A resposta deve surgir na prática, conforme a nova regra começa a impactar milhões de segurados em todo o país.
