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Política – Após cinco meses desde a indicação, o advogado-geral da União, Jorge Messias, passa nesta quarta-feira (29) por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O processo é decisivo para sua possível nomeação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A expectativa é que, caso aprovado na comissão, o nome do indicado siga ainda hoje para votação no plenário da Casa.
Como funciona a sabatina no Senado
Para avançar no processo, Messias precisa de pelo menos 14 votos favoráveis na CCJ. Em seguida, a aprovação final depende de 41 votos no plenário, entre os 81 senadores.
Se obtiver o aval, ele assumirá a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
A sabatina é uma etapa obrigatória e costuma envolver questionamentos técnicos e políticos sobre a trajetória, posicionamentos e capacidade do indicado.
Caminho até a sabatina foi marcado por tensão
Indicado ainda em novembro de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Messias enfrentou um percurso mais longo que o habitual até chegar à sabatina.
A formalização da indicação ao Senado só ocorreu em abril de 2026, após um período de articulação política. O atraso gerou desconforto, especialmente com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que aguardava outro nome para o cargo.
Esse cenário aumentou a pressão sobre o governo na busca por votos e ampliou a tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso.
Expectativa de votos e cenário político
Apesar das dificuldades iniciais, aliados do governo demonstram confiança na aprovação. A base governista projeta entre 48 e 52 votos favoráveis no plenário.
Já a oposição afirma reunir cerca de 30 votos contrários, o que indica uma disputa ainda relevante, embora sem maioria suficiente para barrar a indicação.
O relator na CCJ, Weverton Rocha, classificou a sabatina como “dura”, mas avalia que há margem para aprovação.
Papel da sabatina e histórico de aprovações
No Senado, a sabatina tem como objetivo verificar se o indicado possui os requisitos técnicos e jurídicos para ocupar o cargo no STF.
Historicamente, rejeições são raras. O último caso de veto a um indicado ao Supremo ocorreu em 1894, o que reforça o peso institucional da etapa, mas também a tradição de aprovação.
Ainda assim, o momento é visto como sensível. Uma eventual rejeição poderia impactar diretamente a relação entre o governo e o Congresso.
Estratégia do governo e perfil do indicado
Durante a sabatina, a expectativa é que Jorge Messias adote um tom conciliador, destacando sua formação jurídica e capacidade de diálogo entre os Poderes.
Nos bastidores, o governo também aposta no perfil do indicado como um diferencial. Messias mantém interlocução com diferentes setores, incluindo lideranças religiosas, o que tem sido considerado um trunfo político.
Além disso, o apoio de ministros do STF, como André Mendonça, é visto como um sinal positivo para sua aprovação.
Duração pode seguir tendência recente
As sabatinas no Senado têm se tornado cada vez mais longas. Indicados recentes enfrentaram sessões extensas:
- Cristiano Zanin foi sabatinado por 7h30
- Flávio Dino passou mais de 10 horas
- O recorde é de Edson Fachin, com quase 12 horas
Diante desse histórico, há expectativa de que a análise de Messias também seja longa e detalhada.
A sabatina de Jorge Messias marca um momento decisivo para sua trajetória e para o equilíbrio político entre Executivo e Legislativo.
Mais do que uma etapa formal, o processo funciona como um teste público de credibilidade, preparo técnico e capacidade de articulação. O resultado deve indicar não apenas o futuro do indicado, mas também o clima político entre os Poderes em um ano estratégico.
