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Mundo – O avanço do calor extremo já afeta diretamente a produção de alimentos no mundo e coloca em risco a subsistência de mais de 1 bilhão de pessoas. O alerta é de um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas, divulgado no Dia da Terra, que aponta impactos crescentes das mudanças climáticas sobre sistemas agroalimentares.
Segundo o documento, o aumento das temperaturas está reduzindo a capacidade de adaptação de plantas, animais e humanos, com consequências diretas para a segurança alimentar global.
Ondas de calor mais frequentes e intensas
O estudo foi elaborado pela FAO e pela OMM, que destacam uma tendência preocupante: ondas de calor cada vez mais frequentes, prolongadas e intensas.
Esses eventos já afetam diferentes setores:
- Agricultura
- Pecuária
- Pesca
- Florestas
De acordo com as agências, o fenômeno é um dos efeitos mais visíveis das mudanças climáticas causadas pela ação humana.
Queda na produtividade e risco para alimentos
O relatório indica que o calor extremo diminui a chamada “margem de segurança” dos sistemas naturais. Na prática, isso significa que plantas e animais passam a operar no limite de suas condições ideais.
A partir de cerca de 30 °C, muitas culturas começam a apresentar queda significativa de produtividade.
Além disso, há um impacto direto na produção global:
- Cada aumento de 1 °C na temperatura média reduz cerca de 6% da produção de culturas como milho, arroz, soja e trigo
Em casos mais severos, os prejuízos podem ser ainda maiores. No Marrocos, por exemplo, uma sequência de seca e calor extremo levou a uma queda de mais de 40% na produção de cereais.
Oceanos mais quentes também entram na conta
O impacto do calor extremo não se limita ao campo. O relatório aponta que as chamadas ondas de calor marinhas estão se tornando mais comuns.
Em 2024, 91% dos oceanos do planeta registraram pelo menos um episódio desse tipo, o que reduz o nível de oxigênio na água e ameaça estoques pesqueiros.
Com isso, comunidades que dependem da pesca também entram na lista de populações vulneráveis.
Aquecimento global acelera eventos extremos
Dados recentes mostram que o aquecimento global segue em ritmo acelerado. Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, com 2025 entre os três mais quentes da história.
O relatório projeta cenários ainda mais críticos:
- Com aumento de 2 °C na temperatura global, eventos extremos de calor podem dobrar
- Com 3 °C, podem quadruplicar
Esse aumento funciona como um “multiplicador de riscos”, intensificando secas, incêndios florestais, pragas e tempestades.
O que pode ser feito agora?
As agências da ONU defendem que respostas isoladas não são suficientes para enfrentar o problema. Entre as medidas recomendadas estão:
- Investimento em sistemas de alerta meteorológico
- Melhor acesso a dados climáticos para agricultores
- Planejamento agrícola adaptado às novas condições
Segundo especialistas, disponibilizar informações pode ajudar produtores a decidir quando plantar, colher e quais culturas priorizar.
Solução depende de ação global
Apesar das estratégias de adaptação, o relatório é claro: o combate ao calor extremo passa necessariamente pela redução das emissões de gases de efeito estufa.
Sem ações coordenadas em escala global, os impactos tendem a se intensificar, comprometendo não apenas a produção de alimentos, mas também a estabilidade econômica e social de diversas regiões.
