Irã pode se tornar ameaça maior sem especialistas nucleares, alerta UE
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Mundo – A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o Irã pode representar um risco ainda maior caso especialistas nucleares sejam excluídos das negociações de paz em andamento.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (24), durante uma reunião de líderes europeus no Chipre, em meio às crescentes tensões na região.

Risco de acordo mais fraco preocupa União Europeia

Segundo Kallas, focar apenas em aspectos políticos ou diplomáticos, sem a participação de especialistas técnicos, pode comprometer a eficácia de um eventual acordo.

“Se as negociações se concentrarem apenas no programa nuclear e não houver especialistas nucleares presentes, acabaremos com um acordo mais fraco do que o JCPOA”, afirmou.

O JCPOA, firmado em 2015, estabeleceu limites ao programa nuclear iraniano em troca de alívio de sanções econômicas.

Questões além do nuclear entram no radar

A autoridade europeia também destacou que outros fatores precisam ser considerados para evitar um cenário mais instável.

Entre os pontos citados estão:

  • programas de mísseis
  • influência regional do Irã
  • apoio a grupos aliados
  • atividades cibernéticas na Europa

Segundo Kallas, ignorar esses elementos pode resultar em um país “mais perigoso” no cenário internacional.

Entenda o acordo nuclear de 2015

O JCPOA foi firmado entre o Irã e potências mundiais, incluindo os Estados Unidos, durante o governo de Barack Obama.

O acordo previa:

  • redução das atividades nucleares iranianas
  • inspeções internacionais rigorosas
  • suspensão de sanções econômicas

A proposta buscava evitar o desenvolvimento de armas nucleares e reduzir tensões com países como Israel e Arábia Saudita.

Saída dos EUA e retomada das tensões

O cenário mudou em 2018, quando o então presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo.

Desde então, o Irã retomou parte de suas atividades nucleares. Relatórios internacionais indicaram, em 2023, níveis de enriquecimento de urânio próximos ao necessário para armamento, o que elevou o alerta global.

Tentativas posteriores de retomar o acordo, inclusive durante o governo de Joe Biden, não chegaram a um consenso definitivo.

Negociações enfrentam cenário complexo

A fala de Kallas reforça um ponto central nas negociações atuais: um acordo eficaz precisa ir além do papel e considerar aspectos técnicos e estratégicos.

Em um cenário já tensionado por conflitos e disputas geopolíticas, a ausência de especialistas pode transformar negociações em estruturas frágeis, incapazes de conter riscos futuros.

No tabuleiro internacional, cada detalhe técnico pode ser a diferença entre estabilidade e um novo ciclo de crise.

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