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A disputa entre dois dos maiores grupos de comunicação do país ganhou novos capítulos nesta semana. Após o Estadão publicar reportagem apontando que o Banco Master repassou R$ 27,2 milhões ao portal Metrópoles entre 2024 e 2025, o veículo brasiliense respondeu com uma matéria afirmando que o tradicional jornal paulista captou R$ 142,5 milhões no mercado e utilizou uma gestora ligada a investigações envolvendo o mesmo banco.
O embate colocou frente a frente duas marcas relevantes do jornalismo nacional e trouxe à tona questionamentos sobre relações empresariais, movimentações financeiras e bastidores do setor de mídia.
Segundo reportagem publicada pelo Estadão em 9 de abril, documentos atribuídos ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicariam transferências do Banco Master ao Metrópoles. O texto afirma que os valores foram enviados à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda Ltda. e depois direcionados a outras empresas ligadas à família do ex-senador Luiz Estevão.
O Metrópoles, por sua vez, sustentou que os pagamentos citados se referem a contratos comerciais relacionados à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, incluindo patrocínio do Will Bank e negociação de naming rights da competição.
Resposta veio em nova reportagem
Dias depois, o Metrópoles publicou nova matéria afirmando que o Estadão realizou captação de R$ 142,5 milhões por meio da emissão de debêntures para reforçar o caixa da empresa. O portal destacou que parte da operação teve participação da Trustee DTVM, gestora controlada por Maurício Quadrado, empresário citado como sócio de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master em outros negócios.
A reportagem também menciona que Quadrado e a gestora aparecem em investigações da Polícia Federal relacionadas a supostas irregularidades financeiras e lavagem de dinheiro.
Crise financeira no Estadão
De acordo com os dados publicados, o Estadão buscou recursos no mercado diante de prejuízos acumulados e dificuldades financeiras. A operação teria sido dividida em duas emissões: uma de R$ 45 milhões, em março de 2024, e outra de R$ 97,5 milhões, em maio do mesmo ano.
O material aponta ainda que investidores passaram a ocupar espaços estratégicos dentro da estrutura administrativa da empresa, inclusive com assento no conselho.
Disputa pública entre veículos
O caso evidencia uma rara guerra aberta entre empresas de comunicação de grande porte. Enquanto um lado expõe supostos vínculos financeiros do concorrente com o Banco Master, o outro responde destacando operações empresariais e relações comerciais do rival.
Para especialistas do setor, confrontos públicos entre veículos desse porte costumam refletir não apenas divergências editoriais, mas também disputas por influência, credibilidade e mercado publicitário.
O que está em jogo
Além das acusações cruzadas, a troca de reportagens reacende o debate sobre transparência financeira em empresas jornalísticas e a necessidade de separar interesses comerciais da independência editorial.
Até o momento, nenhum dos veículos anunciou medidas judiciais públicas relacionadas às reportagens. O episódio, porém, já movimenta bastidores políticos, empresariais e midiáticos em Brasília e São Paulo.
A tendência é que novos capítulos surjam nos próximos dias, ampliando uma disputa que já vem sendo tratada nos bastidores como uma verdadeira “briga entre gigantes”.
