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Um homem em situação de rua tem sido vítima de sucessivas agressões no bairro onde vive, em Belém, no Pará. O caso ganhou grande repercussão após dois estudantes de Direito serem flagrados utilizando uma arma de choque contra a vítima, em frente a uma universidade particular na avenida Alcindo Cacela.
Segundo relatos de uma moradora da região, os ataques não são isolados e vêm ocorrendo desde o início de 2026. De acordo com ela, grupos de jovens chegam em carros de luxo durante a noite e praticam diferentes formas de violência, como arremesso de bombinhas, garrafas e até jatos de extintor de incêndio contra o homem.
A testemunha afirma que os episódios são frequentes e, muitas vezes, gravados pelos próprios agressores como forma de entretenimento. Em uma das situações, ela relata ter sido acordada por barulhos semelhantes a tiros e, ao observar a rua, viu ocupantes de um carro jogando objetos em direção à vítima. No dia seguinte, os ataques teriam se repetido de maneira ainda mais violenta, com risadas, filmagens e humilhação.
O homem, segundo a moradora, enfrenta problemas de saúde mental, mas não costuma causar transtornos. A situação, segundo ela, tem gerado indignação e tristeza entre os vizinhos.
O episódio mais recente ocorreu na segunda-feira (13), quando dois estudantes de Direito foram flagrados aplicando descargas elétricas com um dispositivo de choque na vítima. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o homem é atacado pelas costas, sem chance de defesa, enquanto os envolvidos riem e registram a ação.
De acordo com as autoridades, os suspeitos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como autor das agressões, e Antônio Coelho, que teria filmado a cena. Ambos foram afastados pela instituição de ensino, que também abriu procedimento interno para apurar o caso.
A Polícia Civil registrou boletim de ocorrência e iniciou investigação. Um dos envolvidos chegou a ser levado para a delegacia para prestar depoimento e foi liberado.
O Ministério Público Federal também abriu apuração por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Pará e solicitou informações à universidade. O órgão ainda deve encaminhar representação ao Ministério Público do Estado, responsável pela investigação na esfera criminal.
O caso também repercutiu na Assembleia Legislativa do Pará. A deputada Lívia Duarte cobrou providências e classificou o episódio como possível crime de lesão corporal ou tortura, além de destacar a presença de aporofobia — preconceito contra pessoas em situação de vulnerabilidade.
A Prefeitura de Belém informou que acompanha o caso, acionou a Polícia Civil e afirmou que a vítima já foi identificada. O município destacou que não compactua com violações de direitos e que medidas estão sendo adotadas.
Até o momento, não há informações atualizadas sobre o estado de saúde do homem. As autoridades seguem investigando os episódios, que expõem uma realidade de violência recorrente contra pessoas em situação de rua e levantam debate sobre dignidade e segurança.
