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No Dia Internacional das Florestas, celebrado em 21 de março, o setor de florestas plantadas reforça seu papel estratégico no atendimento à crescente demanda global por madeira. No Brasil, cerca de 94% da produção de madeira para fins industriais tem origem em áreas cultivadas, contribuindo para a preservação das florestas nativas.
O consumo de produtos derivados de madeira faz parte do cotidiano, presente em itens como papel, móveis, embalagens e até medicamentos. Segundo a Embrapa Florestas, a demanda mundial já chega a 1,6 bilhão de metros cúbicos por ano e pode dobrar até 2050.
Diante desse cenário, a silvicultura comercial se destaca como alternativa sustentável. Dados do Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF) apontam que o Brasil produziu quase 200 milhões de metros cúbicos de toras em 2024, sendo a grande maioria oriunda de florestas plantadas, que ocupam apenas 1,47% do território nacional.
De acordo com Ailson Loper, diretor executivo da APRE Florestas e professor da UFPR, o cultivo de espécies como pinus e eucalipto ocorre majoritariamente em áreas degradadas, contrariando a ideia de que essas plantações prejudicam florestas naturais. Ele destaca que o modelo contribui para reduzir a necessidade de exploração de vegetação nativa.
A legislação ambiental também reforça esse equilíbrio. Na Região Sul, produtores devem manter ao menos 20% da área como reserva legal, além das áreas de preservação permanente. Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) indicam que o país possui 10,5 milhões de hectares de florestas plantadas e cerca de 7 milhões de hectares de vegetação nativa conservada.
No Paraná, a relação entre produção e conservação é ainda mais expressiva. Empresas associadas à APRE mantêm cerca de 564 mil hectares protegidos, com proporção equivalente entre áreas produtivas e de preservação.
Além da oferta de matéria-prima, as florestas plantadas trazem benefícios ambientais e sociais, como a captura de carbono, formação de corredores ecológicos, geração de empregos — cerca de 2,6 milhões no país — e o desenvolvimento de comunidades locais.
Para especialistas, o modelo demonstra que é possível conciliar produtividade e responsabilidade ambiental. A tendência é que a silvicultura siga como uma das principais soluções para atender à demanda futura de forma sustentável.
O setor deve continuar ganhando relevância nos próximos anos, especialmente diante do aumento do consumo global e da necessidade de preservação ambiental.


