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  A tragédia anunciada de morrer arrastada(o) por uma enxurrada

 

A imagem de uma pessoa sendo arrastada por uma enxurrada é chocante demais. Não pode ser banalizada como está acontecendo.

Nesta semana, foi na Bahia. O corpo da mulher arrastada foi encontrado a 30 km de distância.

Como pode?

Essa mulher com certeza pagou impostos municipais, estaduais e federais. Cada vez que foi numa manicure, num cabelereiro, contribuiu para a prefeitura da cidade com ISS. Quando comprou alimentos, forrou o cofre do governo estadual com o ICMS. E para ter um eletrodoméstico, um fogão, um microondas, uma máquina de lavar, contribuiu para o governo federal com o IPI. Se tinha registro em carteira, pagou INSS, FGTS, Imposto de Renda… Por que uma parte desse dinheiro todo não foi utilizada para obras e providências que protegessem essa mulher, que impedissem que ela tivesse esse destino tão trágico, tão chocante quanto esse de morrer arrastada 30 km por uma enxurrada?

Ela não está sozinha. Entre dezembro/25 e este meio de março/26, mais de 80 pessoas morreram dessa maneira no Brasil, se forem computadas as vítimas da inundação de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, em fevereiro. Em São Paulo, a cidade mais rica do país, 7 pessoas morreram arrastadas por enxurradas nesse período.

Mais de 80 !!!

Nos últimos 30 anos, no Brasil, são mais de 4 mil mortes provocadas por chuvas, deslizamentos, enchentes e inundações. Mais de 10 milhões de pessoas desalojadas e desabrigadas.

Para se ter uma referência, o furacão Katrina, terrível, em 2005, com ventos de 280 km/h, que devastou a cidade de New Orleans, nos EUA, deixou 1836 pessoas mortas e um milhão de desalojados.

No Brasil não há incidência de furacões, tsunamis, terremotos, vulcões. O único flagelo que a natureza tropical impõe aos brasileiros é a chuva torrencial que acontece sazonalmente. Sabemos quando ela vai vir. Sabemos os locais que vão ser afetados. Por que não tomamos providências?

É muito desleixo das autoridades !!!

Não é só desleixo. É incompetência também. É burrice. Burrice demais. Uma moradora de Juiz de Fora, Cinthya, conta que aquela avenida Juscelino Kubistchek, que parecia um rio na enxurrada de fevereiro era mesmo um rio que foi coberto. Pior: os meandros desse rio foram eliminados na retificação, o que multiplica a velocidade da água.

O governo Zema, de Minas, reduziu a dotação orçamentaria de obras para combate de enchentes de R$ 136 milhões para R$ 6 milhões entre 2023 e 2025. Mais de 95% !!! Deveria responder diante do júri por 80 homicídios dolosos, aqueles em que está explícita a vontade de matar.

Já passou há muito tempo a hora do governo federal criar um Fundo Nacional de Combate às Enchentes e Inundações, dos governos estaduais mapearem os pontos de risco e das prefeituras começarem

ontem as obras de prevenção.

Não é admissível pensar que no ano que vem, novamente no período das chuvas, o país tenha de conviver com essas imagens tristíssimas, trágicas, chocantes de brasileiras e brasileiros arrastados para a morte por enxurradas.       

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