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O Grupo Pão de Açúcar (GPA), uma das maiores redes de supermercados do Brasil, anunciou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida foi divulgada nesta terça-feira (10) e faz parte de um plano para reorganizar as finanças da empresa.
Segundo a companhia, o objetivo é renegociar dívidas consideradas não operacionais, ou seja, compromissos financeiros que não envolvem pagamentos do dia a dia da empresa, como salários de funcionários, fornecedores ou aluguel de lojas.
O presidente do grupo, Alexandre Santoro, afirmou que a decisão busca ajustar o perfil de endividamento sem comprometer o funcionamento do negócio. De acordo com ele, as lojas continuam operando normalmente e não há impacto direto nas atividades da rede.
O plano já conta com a adesão de 46% dos credores envolvidos, percentual considerado suficiente para iniciar o processo de negociação. A empresa terá agora um período inicial de 90 dias para avançar nas tratativas e tentar chegar a um acordo definitivo com a maioria dos credores.
Nesse período, os pagamentos dessas dívidas ficam temporariamente suspensos, permitindo que a companhia negocie novos prazos e condições para quitar os valores.
Parte dessas obrigações possui vencimento próximo. Cerca de R$ 500 milhões vencem em maio, enquanto outros R$ 1,2 bilhão a R$ 1,3 bilhão devem vencer em julho, segundo a diretoria financeira da empresa.
O GPA reforçou que dívidas trabalhistas, tributárias e pagamentos a fornecedores não fazem parte da recuperação extrajudicial e continuam sendo tratados normalmente pela companhia.
A rede enfrenta dificuldades financeiras nos últimos anos e registra prejuízos desde 2022. Entre os fatores apontados estão a queda no consumo, o aumento da inflação de alimentos, juros elevados e custos relacionados a mudanças na gestão e reorganização da empresa.
No balanço mais recente, divulgado no fim de fevereiro, o grupo informou que existiam dúvidas sobre a capacidade de manter as operações no longo prazo caso não houvesse uma reorganização das dívidas.
Em 2025, o GPA registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões. No mesmo período, a dívida líquida da companhia chegou a aproximadamente R$ 2 bilhões, enquanto a dívida bruta ultrapassou R$ 4 bilhões.
Atualmente, o grupo possui 728 lojas no Brasil, distribuídas entre as bandeiras Pão de Açúcar, Extra Mercado, Mini Extra e Minuto Pão de Açúcar.
Especialistas apontam que a reestruturação pode envolver medidas para reduzir despesas e melhorar o caixa da empresa, como venda de ativos ou fechamento de unidades com baixo desempenho. No entanto, a companhia afirma que o plano foi estruturado justamente para preservar o funcionamento das operações.
A expectativa agora é que as negociações com os credores avancem nos próximos meses para definir as condições finais da reestruturação financeira.


