O Ministério Público de São Paulo solicitou a prisão preventiva de Ademário da Silva Oliveira, ex-prefeito de Cubatão, pelo crime de estupro contra Suellen Silva Lopes, uma servidora pública e voluntária no município. O pedido foi formalizado após uma série de evidências que indicam assédio sexual e tentativa de obstrução da justiça.
Assédio Sexual e Ato Libidinoso
O incidente de assédio sexual ocorreu em outubro de 2020, em um restaurante fechado durante um evento político, e não no ambiente de trabalho de Suellen Silva Lopes. No pedido de prisão preventiva, o Ministério Público detalhou o ocorrido, com base em depoimentos e evidências recolhidas:
“O requerido teria se valido de sua posição hierárquica e influência política para submeter a vítima a reiteradas investidas de cunho sexual no ambiente de trabalho, bem como, em outubro de 2020, mediante uso de força física, teria praticado atos libidinosos não consentidos contra a vítima em local fechado, especificamente no banheiro de um restaurante.”
Segundo o relato de Suellen, Ademário levantou seu vestido e tocou suas partes íntimas, consumando o ato de forma agressiva e sem o seu consentimento. Suellen tentou empurrá-lo para interromper o ato, mas não conseguiu impedir o abuso naquele momento.
Impacto psicológico
Após o abuso, Suellen Silva Lopes começou a sofrer de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), diagnosticado por especialistas. O impacto psicológico foi significativo:
“A vítima declarou que, por medo de represálias e exposição, não denunciou imediatamente os fatos, vindo a apresentar significativo abalo psicológico, comprovado por acompanhamento psiquiátrico, uso de medicações controladas e relatórios técnicos juntados aos autos.”
Suellen buscou tratamento psicológico e começou a tomar medicações controladas para lidar com os sintomas do abuso. A pressão psicológica resultante do medo de retaliações políticas e exposição pública a impediu de fazer a denúncia de forma imediata.
Coação de Testemunhas
O pedido de prisão também descreve como Ademário tentou coagir testemunhas para enfraquecer o caso contra ele. A principal testemunha, Danielle Santana Pereira dos Santos, Diretora de Indústria e Comércio da Prefeitura de Cubatão, inicialmente confirmou o comportamento inadequado de Ademário no restaurante. Contudo, Danielle foi pressionada pela defesa de Ademário a alterar seu depoimento, o que configurou obstrução da justiça.
“Após depoimento da testemunha Danielle Santana na delegacia, o investigado, através de seu advogado, insiste por duas vezes que Danielle seja ouvida novamente, porém, Vossa Excelência indefere os dois pedidos. Não satisfeito, o investigado juntou uma nova versão escrita pela senhora Danielle, onde ela altera sua versão dos fatos.”
Essa manipulação de depoimentos reflete a tentativa de Ademário de usar sua influência política para distorcer a narrativa e proteger-se de consequências legais.
Apreensão do Celular
A perícia realizada no celular de Ademário revelou que ele tentou ocultar provas de sua conduta criminosa. O documento revela que Ademário desinstalou o WhatsApp e apagou conversas antes de entregar o celular às autoridades. Mesmo assim, a perícia conseguiu recuperar conversas datadas de 2025, nas quais Ademário usava termos sexualmente explícitos ao se comunicar com mulheres.
Em uma dessas conversas, ele chamou uma mulher de “delícia”, solicitou uma “fotinha ousada” e, em seguida, a chamou de “cachorra”, demonstrando a continuidade de seu comportamento abusivo.
Menor de Idade
Além das denúncias recentes, o documento também faz referência a um caso ocorrido em 2016, quando Ademário foi acusado de assediar sexualmente uma menor de idade, que tinha 13 anos na época. Esse incidente ocorreu enquanto Ademário ainda era vereador.
A situação se agravou quando Ademário tentou comprar o silêncio da vítima. Ele ofereceu R$ 15.000 pela retirada do celular da vítima, no qual estavam mensagens que poderiam incriminá-lo. Essa tentativa de suborno caracteriza uma tentativa de obstrução da justiça, onde Ademário tentou destruir as provas e evitar a responsabilização por seus atos.
Prisão Preventiva
O Ministério Público fundamenta seu pedido de prisão preventiva em vários pontos, destacando a gravidade dos crimes, a periculosidade social de Ademário, e a necessidade de garantir a ordem pública:
“A gravidade concreta dos delitos imputados — especialmente crimes sexuais praticados mediante abuso de poder e de autoridade — revela a elevada periculosidade social do agente, o que justifica a custódia cautelar para resguardar a ordem pública.”
Além disso, o pedido ressalta que Ademário continua, em 2025, a utilizar sua posição de prestígio para assediar mulheres, o que evidencia a reiteração delitiva e o desprezo pelos limites legais e éticos.
