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A adoção de protocolos sanitários semelhantes aos utilizados durante a pandemia da Covid-19 voltou a fazer parte da rotina de aeroportos em diferentes países da Ásia. O motivo não é um retorno do coronavírus, mas sim o surgimento de um surto do vírus Nipah, considerado por especialistas e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos patógenos mais perigosos do mundo.

O alerta teve início após a confirmação de casos no estado de Bengala Ocidental, na Índia, onde autoridades de saúde identificaram pacientes com sintomas graves e rapidamente ativaram protocolos de isolamento, rastreamento de contatos e vigilância epidemiológica. Os casos estão concentrados na mesma região, o que reforçou a necessidade de controle imediato.

Aeroportos estratégicos

Diante do risco, países vizinhos passaram a reforçar a vigilância sanitária em seus principais pontos de entrada. Tailândia, Nepal e Taiwan anunciaram medidas preventivas em aeroportos internacionais, incluindo triagem de passageiros, monitoramento de sintomas, formulários de declaração de saúde e, em situações específicas, encaminhamento para isolamento.

Na Tailândia, os controles foram intensificados em aeroportos estratégicos como Suvarnabhumi, Don Mueang e Phuket, especialmente para passageiros vindos da Índia. No Nepal, a triagem ocorre tanto no Aeroporto Internacional Tribhuvan, em Katmandu, quanto em fronteiras terrestres. Já Taiwan elevou o nível de vigilância sanitária e discute a classificação do Nipah como doença de notificação obrigatória de alto risco.

Altamente letal

O vírus Nipah (NiV) é transmitido principalmente por alimentos contaminados por morcegos frugívoros, especialmente frutas ou derivados como seiva de palma. Também pode ser transmitido por animais infectados e, em alguns surtos, por contato direto entre pessoas, sobretudo em ambientes familiares e hospitalares.

A doença pode se manifestar inicialmente com sintomas semelhantes aos de uma infecção comum, como febre, dor de cabeça e dores musculares. No entanto, em muitos casos, evolui rapidamente para problemas respiratórios graves e encefalite, uma inflamação no cérebro que pode levar ao coma em poucas horas.

Segundo estimativas de organismos internacionais, a taxa de letalidade do Nipah varia entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade de resposta do sistema de saúde local. Para efeito de comparação, a letalidade média global da Covid-19 ficou em torno de 1% ao longo da pandemia.

Isso significa que, do ponto de vista estatístico, o Nipah pode ser de 40 a até 70 vezes mais letal que a Covid-19. Especialistas, no entanto, ressaltam que o vírus apresenta baixa transmissibilidade, o que reduz o risco de uma disseminação em larga escala, desde que medidas de contenção sejam adotadas rapidamente.

Organização Mundial da Saúde

A OMS classifica o Nipah como um vírus prioritário para vigilância e pesquisa, justamente por seu potencial letal. Apesar disso, a organização afirma que, no cenário atual, o risco de uma pandemia global é considerado baixo, já que os casos estão localizados e sendo monitorados de perto pelas autoridades indianas.

A entidade reforça que a resposta rápida, o isolamento de casos e o controle em pontos de entrada internacionais são fundamentais para impedir a propagação do vírus para outros países.

Sem casos no Brasil

Até o momento, não há registro de casos de Nipah no Brasil, nem alerta sanitário emitido pelo Ministério da Saúde ou pela Anvisa. Também não existe, por enquanto, a adoção de protocolos específicos nos aeroportos brasileiros relacionados ao vírus.

Especialistas destacam, porém, que o Brasil mantém sistemas de vigilância epidemiológica de rotina para doenças emergentes, especialmente em períodos de grande fluxo internacional.

Com a proximidade do Carnaval, período em que o Brasil recebe turistas de todas as partes do mundo, o tema ganha ainda mais relevância. A experiência da pandemia da Covid-19 deixou uma lição clara: agir cedo pode evitar consequências graves mais adiante.

Por isso, mesmo sem risco imediato, autoridades internacionais reforçam que a prevenção agora é uma estratégia de prudência, não de pânico.

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