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Símbolo urbano desde os anos 1970, telefone público foi projetado por Chu Ming Silveira e marcou gerações; retirada começa em janeiro e deve seguir até 2028.
Após mais de cinco décadas de história, os orelhões começam a ser removidos das ruas brasileiras a partir deste mês de janeiro. Criados pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira em 1971, os telefones públicos se tornaram símbolo do Brasil urbano por seu design inovador, funcionalidade e presença marcante nas cidades. Atualmente, restam cerca de 38 mil aparelhos no país, dos quais apenas 33 mil estão ativos, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Abaixo, veja os principais destaques da trajetória do orelhão e os motivos para seu fim:
📌 Origem e criação do orelhão
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O orelhão foi criado em 1971 por Chu Ming Silveira, arquiteta nascida em Xangai, na China, que veio ao Brasil ainda criança.
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A ideia surgiu enquanto ela trabalhava no Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira (CTB).
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O modelo foi lançado em janeiro de 1972 nas ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo.
📌 Design icônico e funcional
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O formato oval foi pensado para proteger o usuário da chuva e do sol, além de oferecer isolamento acústico.
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O som era projetado de forma a reduzir o ruído externo, melhorando a qualidade da ligação.
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Por sua forma característica, ganhou o apelido de “orelhão”.
📌 Expansão e impacto social
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O orelhão se espalhou pelo país durante os anos 1970 e 1980, tornando-se essencial para quem não tinha telefone em casa.
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As cabines chegaram a ser usadas em outros países, como Peru, Angola, Moçambique e China.
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Durante décadas, o acesso era feito por fichas e, mais tarde, por cartões telefônicos ou chamadas a cobrar.
📌 Popularidade e presença cultural
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Chu Ming Silveira faleceu em 1997, mas sua criação continuou como um símbolo nacional.
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Recentemente, o orelhão ganhou destaque no cartaz do filme “O Agente Secreto”, estrelado por Wagner Moura, indicado ao Oscar 2026.
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A imagem do personagem dentro da cabine trouxe o equipamento de volta ao imaginário popular.
📌 Desativação e fim do serviço
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A retirada dos aparelhos começou a ser discutida após o fim das concessões das empresas de telefonia fixa (Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica).
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Sem a obrigação legal de manter os orelhões, a remoção em massa dos equipamentos desativados terá início em 2026.
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Serão mantidos apenas em locais onde não há cobertura de celular, e somente até 2028.
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Em 2020, o país ainda contava com mais de 202 mil orelhões. Hoje, restam 38 mil, sendo 4 mil em manutenção.
🔚 Fim de uma era
Com a evolução tecnológica e a popularização dos celulares, os orelhões se tornaram obsoletos. Ainda assim, deixam um legado arquitetônico, funcional e afetivo para milhões de brasileiros.
