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O Irã deve executar nesta quarta-feira (14) Erfan Soltani, de 26 anos, preso durante a onda de protestos que desafia o regime dos aiatolás.
Créditos: Reprodução e Stringer/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
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O Irã deve executar nesta quarta-feira (14) Erfan Soltani, de 26 anos, preso durante a onda de protestos que desafia o regime dos aiatolás. Segundo organizações de direitos humanos, os atos já deixaram mais de 2.400 mortos em todo o país.

Soltani trabalhava na indústria de vestuário e era descrito por conhecidos como apaixonado por moda. Ele havia iniciado recentemente em uma empresa privada do setor, de acordo com o veículo ativista IranWire. O jovem foi detido na semana passada, sem acesso a advogado e sem que tivesse ocorrido audiência judicial.

Relatos indicam que a família foi informada de que a sentença é definitiva, sem possibilidade de recurso, e autorizada a uma breve visita de despedida, de cerca de dez minutos. Uma fonte próxima afirmou que parentes estão sob “pressão extrema” e sofreram ameaças.

A Organização Hengaw para Direitos Humanos afirma que Soltani foi preso dentro de casa, na cidade de Karaj, por suposta ligação com os protestos. O grupo descreve o processo como “rápido e obscuro”, com violação de direitos básicos, incluindo o acesso à defesa. A irmã do jovem, que é advogada, teria sido impedida de consultar os autos.

A iminente execução intensificou a preocupação internacional com a repressão no país. A agência Human Rights Activists News Agency (HRANA) contabiliza ao menos 2.400 manifestantes mortos e mais de 18 mil detidos desde o início das manifestações, que entraram na terceira semana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou avaliar opções de resposta e advertiu o Irã contra execuções. Em entrevista à CBS, disse que adotaria “medidas fortes” caso o regime execute manifestantes. Nas redes sociais, Trump encorajou os protestos e afirmou que a ajuda está “a caminho”.

Em resposta, o governo iraniano acusou Trump de incitar a desestabilização e a violência. Em carta à ONU, o embaixador Amir Saeid Iravani responsabilizou os Estados Unidos e Israel por mortes de civis. Já o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, declarou-se horrorizado e cobrou o fim imediato da violência contra manifestantes pacíficos.

Mesmo com cortes de internet e repressão crescente, milhares de iranianos seguem nas ruas contra a crise econômica e passaram a exigir a queda do regime instaurado após a Revolução Islâmica de 1979. Relatos de médicos e organizações internacionais apontam execuções sumárias, necrotérios lotados e ordens para uso letal da força.

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