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Política – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o processamento de uma ação apresentada pelo partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), por suposto abuso de poder político. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (5) pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
Lula e Alckmin terão cinco dias, após serem notificados, para apresentar defesa. A legenda pede a cassação da chapa reeleita e a declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos.
A decisão permite que o processo avance para a análise das acusações, mas não representa um julgamento sobre a existência de irregularidades.
Novo questiona 35 medidas do governo
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi apresentada em 19 de outubro e questiona 35 medidas adotadas pelo governo federal entre 1º de janeiro e 16 de outubro de 2026.
Segundo o levantamento apresentado pelo Novo, 12 dessas iniciativas foram anunciadas ou editadas durante o período de campanha eleitoral, entre 16 de agosto e 16 de outubro.
O partido argumenta que a concentração de medidas com benefícios econômicos ou apelo popular, somada à proximidade das eleições e ao alcance nacional das iniciativas, indicaria o uso da estrutura pública para favorecer a reeleição da chapa.
Ao determinar o processamento da ação, Cueva considerou que os investigados apontados pelo partido integram a chapa supostamente beneficiada. A decisão também menciona a atribuição de atos questionados a Lula e a participação de Alckmin em eventos de anúncio de algumas medidas.
Programas sociais e benefícios estão entre os questionamentos
Entre as 35 iniciativas citadas pelo partido estão:
- Reajuste de 15,04% do Bolsa Família;
- Ampliação dos subsídios aos combustíveis;
- Programa de renegociação de dívidas Desenrola 3.0;
- Proibição das apostas on-line;
- Fim da chamada taxa das blusinhas.
O Novo afirma que a quantidade de medidas questionadas em 2026 equivale à soma das iniciativas semelhantes identificadas pela legenda nos três anos anteriores: 17 em 2023, quatro em 2024 e 14 em 2025.
A ação também questiona o financiamento das políticas públicas. De acordo com o partido, foram abertos 13 créditos extraordinários relacionados às medidas em 2026, que totalizam aproximadamente R$ 99,7 bilhões.
A legenda defende que a Justiça Eleitoral avalie o conjunto das iniciativas, o período em que foram adotadas e os custos envolvidos.
Lula defendeu anúncios feitos durante a campanha
Em entrevista ao SBT, em 19 de outubro, Lula defendeu as medidas anunciadas na reta final da disputa eleitoral. Na ocasião, afirmou que não deixaria de conceder benefícios à população por causa das eleições e argumentou que as iniciativas continuariam atendendo aos brasileiros independentemente do resultado da votação.
Sobre o reajuste do Bolsa Família, o presidente atribuiu a medida à disponibilidade de espaço fiscal.
Em outro processo, apresentado por Renan Santos, do partido Missão, contra a correção do programa, a campanha petista argumentou que houve apenas reposição da inflação, sem criação de um novo benefício ou ampliação do público atendido.
A defesa também sustentou que o Bolsa Família se enquadra na exceção prevista na legislação para programas sociais autorizados em lei e com execução orçamentária anterior ao ano eleitoral.
As acusações apresentadas pelo Novo ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral. Até o momento da publicação da reportagem original, ainda era aguardada a manifestação da defesa da campanha.

