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Política – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desistiu de pedir à Justiça a anulação da eleição presidencial de 2026, menos de 24 horas depois de anunciar a intenção. Em vez de questionar a validade da votação, a estratégia agora é apresentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com pedido de cassação da chapa vencedora.
A mudança foi noticiada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (26). Segundo a publicação, aliados e advogados convenceram Flávio a abandonar a tentativa de anulação, apontando dificuldades jurídicas e possíveis consequências políticas da iniciativa.
Extensão do horário de votação motivou contestação
O anúncio inicial de Flávio estava relacionado à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação em locais onde o processo eleitoral ainda não havia sido encerrado.
O senador questionou a medida e afirmou que pretendia recorrer à Justiça para anular o resultado. A decisão, porém, não reabriu seções eleitorais que já haviam encerrado a votação.
De acordo com a Folha, interlocutores de Flávio avaliaram que a contestação tinha fragilidades jurídicas e poucas perspectivas favoráveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no STF. Também houve preocupação com o desgaste político que uma tentativa de invalidar a eleição poderia provocar.
Nova estratégia prevê ação por abuso de poder
No lugar do pedido de anulação, a campanha pretende apresentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, instrumento utilizado para apurar possíveis irregularidades durante campanhas eleitorais.
A iniciativa deve questionar medidas anunciadas por Lula durante o período eleitoral, sob a alegação de possível abuso de poder econômico. O objetivo, segundo a reportagem, seria obter a cassação da chapa vencedora.
A apresentação de uma ação, contudo, não significa que as acusações estejam comprovadas. Eventuais irregularidades precisam ser demonstradas e analisadas pela Justiça Eleitoral, que decidirá sobre o mérito do processo.
Aliados defenderam recuo
Segundo a publicação, senadores e governadores conversaram com Flávio para defender que ele abandonasse a ideia de anular a votação. Entre eles estaria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A avaliação dos aliados era de que insistir na anulação poderia aumentar a incerteza institucional e prejudicar a trajetória política do senador, que recebeu quase 60 milhões de votos na disputa presidencial, conforme os dados citados na reportagem.
Com a mudança de estratégia, a contestação deixa de ter como foco a validade do processo de votação e passa a se concentrar em supostas irregularidades atribuídas à campanha adversária.
Até a publicação da reportagem, a nova ação era apresentada como uma iniciativa planejada, sem confirmação de que já tivesse sido protocolada na Justiça Eleitoral.

