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Economia – O dólar comercial fechou em alta nesta quinta-feira (24), aproximando-se de R$ 5,20 em um dia marcado pelo aumento da cautela nos mercados internacionais. A moeda norte-americana terminou o pregão cotada a R$ 5,1931, avanço de 0,47%.
No mesmo dia, o Ibovespa recuou 0,99%, aos 183.965,91 pontos. O desempenho refletiu a combinação de fatores externos, como a alta dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a valorização do petróleo, além das preocupações com o cenário econômico brasileiro.
Dólar chega a superar R$ 5,20 durante o pregão
O dólar iniciou as negociações a R$ 5,16 e alcançou R$ 5,202 na máxima do dia, por volta das 15h. Com o resultado, a moeda passou a acumular alta de 0,26% em setembro.
Apesar da valorização no mês, o dólar ainda registra queda de 5,39% em 2026.
O movimento acompanhou a valorização da moeda norte-americana no exterior. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas, avançava 0,14% no fim da tarde.
Um dos fatores de pressão foi a alta dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos. O Treasury de dez anos chegou a rendimento de 5,2209%, ante 5,114% na sessão anterior.
A elevação dos juros dos títulos americanos costuma aumentar a atratividade desses investimentos e pode reduzir o interesse por ativos considerados mais arriscados, especialmente em mercados emergentes.
Banco Central vende US$ 1 bilhão
O Banco Central também atuou no mercado de câmbio nesta quinta-feira. A instituição vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos.
Nesse tipo de operação, o Banco Central fornece dólares ao mercado com compromisso de recompra futura. A medida amplia a oferta de moeda estrangeira e ajuda a aumentar a liquidez no mercado de câmbio.
Na quarta-feira (23), o Banco Central havia informado que o fluxo cambial brasileiro acumulava saldo negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18.
A autoridade monetária também reduziu sua previsão para o crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 2% para 1,8%. Para 2027, a estimativa é de expansão de 1,4%.
Ibovespa fecha abaixo dos 184 mil pontos
O Ibovespa terminou o pregão aos 183.965,91 pontos, queda de 0,99%. Durante o dia, o principal índice da Bolsa brasileira chegou à máxima de 186.211,43 pontos e à mínima de 183.834,97 pontos.
A queda acompanhou a piora do ambiente internacional para ativos de maior risco.
A elevação dos rendimentos dos títulos americanos contribuiu para reduzir a demanda por investimentos considerados mais arriscados. Ao mesmo tempo, a alta do petróleo aumentou as preocupações com a inflação.
No cenário doméstico, investidores também acompanharam novas projeções para as contas públicas. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento reduziram de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões a necessidade de contenção de despesas, mas elevaram a estimativa de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões.
Petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã
Outro destaque do pregão foi o mercado de petróleo. O barril do Brent, referência internacional, subiu 3,41%, para US$ 106,60.
O WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 2,65%, para US$ 94,61.
A valorização ocorreu em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e sobre uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas utilizadas para o transporte mundial de petróleo.
Durante a tarde, as cotações perderam parte da alta após surgirem informações sobre possíveis negociações entre os dois países para permitir a reabertura da passagem.
Ainda assim, a falta de uma definição manteve a pressão sobre os preços. O comportamento do petróleo é acompanhado de perto pelos mercados porque combustíveis mais caros podem aumentar a inflação e influenciar as expectativas para os juros.
Principais números do mercado
- Dólar comercial: R$ 5,1931, alta de 0,47%
- Ibovespa: 183.965,91 pontos, queda de 0,99%
- Dólar em setembro: alta de 0,26%
- Dólar em 2026: queda de 5,39%
- Brent: US$ 106,60, alta de 3,41%
- WTI: US$ 94,61, alta de 2,65%
O desempenho desta quinta-feira refletiu principalmente o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, combinado às incertezas econômicas e fiscais acompanhadas pelos investidores no Brasil.

