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Mundo – Mais de 100 pessoas afirmam ter sofrido lesões cerebrais após andar na X2, uma das principais montanhas-russas do parque Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, nos Estados Unidos. As alegações se referem a passageiros que utilizaram a atração nos últimos dois anos e foram apresentadas por advogados que anunciaram três novas ações judiciais contra a empresa.
Os novos relatos surgem após uma investigação da CNN, publicada em agosto, identificar mais de uma dezena de casos de ferimentos graves e hospitalizações associados à atração ao longo de quase duas décadas. Entre os episódios estão relatos de traumatismos cranianos e mortes.
A CNN informou que não conseguiu verificar de forma independente todas as novas alegações apresentadas pelos advogados.
X2 está fechada desde julho
A X2 permanece fechada desde 12 de julho, quando o parque interrompeu as operações da atração. O fechamento ocorreu após uma série de incidentes envolvendo passageiros e enquanto autoridades da Califórnia realizam uma inspeção sobre um caso registrado no brinquedo.
A Divisão de Saúde e Segurança Ocupacional da Califórnia, conhecida como Cal/OSHA, informou que abriu uma inspeção relacionada a um incidente ocorrido em 5 de julho. Como o procedimento ainda está em andamento, as autoridades não divulgaram detalhes adicionais sobre a investigação.
A Six Flags confirmou que a X2 continua fechada, mas afirmou que não comenta processos judiciais em andamento.
Novas ações relatam casos graves
Entre os casos apresentados pelos advogados está o de Naomi Greer-Wilkinson, que perdeu a consciência depois de andar na montanha-russa e sofreu uma grave lesão cerebral que exigiu cirurgia de emergência.
Segundo informações apresentadas pelos familiares, ela permanece em estado grave. Os pais afirmam que acompanham a filha durante a recuperação e aguardam sinais de melhora.
Outra passageira, Pamela Guillen, também perdeu a consciência após utilizar a X2 e precisou passar por uma cirurgia cerebral de emergência. Segundo documentos analisados pela CNN, médicos associaram as lesões a um evento traumático de rápida aceleração e desaceleração ocorrido durante o brinquedo.
Guillen relatou dificuldades para falar e andar após o episódio, além de dores de cabeça e problemas de memória. Ela também afirma precisar de medicamentos para prevenir convulsões.
Um terceiro processo envolve o advogado Michael Wilk, que afirma ter sofrido um grave sangramento cerebral após andar na X2 em fevereiro. De acordo com seu relato, ele passou por várias cirurgias e ficou com problemas de memória, dores de cabeça e dificuldades para processar palavras.
Histórico de acidentes é investigado
As novas denúncias se somam a um histórico de relatos envolvendo a montanha-russa.
A investigação publicada anteriormente pela CNN identificou mais de uma dúzia de pessoas que sofreram ferimentos graves ou precisaram de atendimento hospitalar após utilizar a X2. Entre os casos também estão mortes relacionadas à atração, embora as circunstâncias e a responsabilidade legal sejam objeto de disputas e processos.
Um dos casos envolve Christopher Hawley, de 22 anos, que morreu em 2022 após sofrer uma lesão cerebral depois de andar na X2. A família entrou com uma ação contra o parque, alegando que os movimentos e a parada da atração provocaram o ferimento. O caso foi posteriormente encerrado por acordo, sem que isso, por si só, estabeleça responsabilidade ou culpa da empresa.
Como funciona a X2
A X2 é conhecida pelo sistema de assentos que podem girar 360 graus independentemente do movimento do trem. A atração também possui quedas acentuadas e chega a velocidades próximas de 130 km/h.
O parque apresenta a montanha-russa como uma experiência voltada a visitantes em busca de atrações de alta intensidade.
É justamente a combinação de velocidade e movimentos dos assentos que está no centro de parte das discussões apresentadas nos processos. Os advogados das vítimas questionam se as forças envolvidas podem representar riscos maiores do que os informados aos passageiros.
A Six Flags, por outro lado, já afirmou em processos anteriores que a atração é testada regularmente e que as forças experimentadas por um passageiro que utiliza o brinquedo de acordo com as instruções não seriam suficientes para provocar uma lesão cerebral traumática em uma pessoa considerada saudável.
Mais de 100 novos relatos
Os advogados responsáveis pelas novas ações afirmam ter recebido relatos de centenas de passageiros. Nem todos, porém, foram transformados em processos.
Segundo eles, alguns casos estavam fora do prazo legal para ações na Califórnia, enquanto outros envolviam ferimentos diferentes de lesões cerebrais ou não tinham documentação médica suficiente.
O advogado Gary Dordick afirmou que seu escritório representa mais de 100 pessoas. O advogado Christopher Bulone também anunciou três processos nesta semana.
As alegações ainda terão de ser analisadas judicialmente. A existência das ações não significa, por si só, que as lesões tenham sido comprovadamente causadas pela X2 ou que a Six Flags tenha responsabilidade pelos casos.
O que diz a Six Flags
A empresa não comentou especificamente as novas alegações. Em resposta à CNN, informou que a X2 permanece fechada e que não se manifesta sobre processos judiciais em andamento.
Enquanto isso, a inspeção da Cal/OSHA continua. Até o momento, não foi divulgada uma conclusão oficial das autoridades da Califórnia sobre a segurança da atração ou sobre a causa dos incidentes investigados.

