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Juiz de Fora – Uma personagem criada durante brincadeiras de infância com o irmão atravessou décadas até chegar às páginas de um livro e, agora, à Bienal do Livro de São Paulo. Aos 55 anos, o escritor e jornalista Clinton Davisson Fialho apresenta neste domingo (13) o romance “Hegemonia — Vellanda”, obra que mistura fantasia e ficção científica para abordar neurodivergência, preconceito, altas habilidades e pertencimento.
Clinton é aluno do curso de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e estará no estande da Editora AVEC, às 15h, para apresentar o livro ao público da Bienal.
A história acompanha Jun Vellanda, uma jovem de 14 anos que vive em uma sociedade na qual mulheres são proibidas de estudar. Curiosa e com grande capacidade intelectual, ela toma uma poção proibida que amplia sua inteligência e passa a ser perseguida por autoridades políticas e religiosas.
A partir daí, Jun deixa a própria casa e percorre um mundo marcado por guerras, diferentes povos, criaturas fantásticas e dragões.
Personagem nasceu em brincadeiras de infância
A origem de Vellanda remonta à infância de Clinton. Foi durante brincadeiras com o irmão que ele criou a personagem Jun, sem imaginar que, anos mais tarde, encontraria nela elementos relacionados à própria trajetória.
O escritor começou a desenvolver a história em 2008. Na época, ainda não tinha conhecimento de que algumas das características presentes na personagem também poderiam ser relacionadas à neurodivergência.
A percepção mudou anos depois, quando os filhos de Clinton receberam diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), em 2021. Ao pesquisar sobre o tema, o escritor passou a reconhecer em si características semelhantes às que observava nos filhos.
Em 2024, recebeu os diagnósticos de autismo, TDAH e altas habilidades.
Segundo Clinton, foi a partir desse processo que ele passou a compreender Vellanda sob uma nova perspectiva.
“Foi então que compreendi que Vellanda sempre havia sido uma história sobre neurodivergência. Era sobre a maneira como eu me sentia, sobre o preconceito que enfrentei e sobre dificuldades vividas tanto por mim quanto por meus filhos”.
Fantasia para falar sobre neurodivergência
Embora tenha elementos de fantasia e ficção científica, “Hegemonia — Vellanda” parte de questões bastante concretas. A trajetória de Jun envolve isolamento, preconceito, diferenças individuais e a busca por pertencimento.
A proposta do autor, no entanto, não é apresentar a personagem como uma representação de todas as pessoas autistas. A história utiliza a fantasia como uma forma de transformar experiências pessoais em situações que possam ser compreendidas por diferentes leitores.
“É uma aventura sobre família, preconceito, coragem e, principalmente, pertencimento”, explicou Clinton.
Para o escritor, pessoas neurodivergentes não devem ser vistas a partir de uma lógica de superioridade ou inferioridade, mas como indivíduos que precisam ter suas particularidades respeitadas.
“Pessoas neurodivergentes não devem ser tratadas como um peso, nem classificadas como melhores ou piores. Precisam ser respeitadas e acolhidas como qualquer outra pessoa”.
Livro chega à Bienal após trajetória de vendas
Publicado em 2025, “Hegemonia — Vellanda” chega à Bienal depois de uma trajetória anterior no mercado editorial.
A primeira edição do livro ficou esgotada e, em 2020, a obra chegou a figurar entre os três livros mais vendidos da Amazon na categoria Aventura e Ficção Científica. Atualmente, o título está entre os 100 mais vendidos da plataforma no mesmo gênero, segundo as informações divulgadas pelo autor.
Mais do que os números de venda, Clinton afirma que uma das experiências que mais o emocionam é descobrir que a história conseguiu aproximar pessoas dos livros.
“Até hoje fico emocionado quando alguém me procura nas redes sociais e diz que Hegemonia foi o primeiro livro que leu na vida. Isso não tem preço”.
Agora, a expectativa é ampliar esse encontro com os leitores durante a Bienal do Livro de São Paulo.
“Meu principal desejo é que Jun encontre novos leitores e que esses leitores também se encantem por ela.”

