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Moraes
Reprodução internet
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Política – A divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes ampliou a tensão interna no Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo consta de um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal (PF) a partir de materiais apreendidos na Operação Compliance Zero.

O documento foi tornado público nesta terça-feira (1º) por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo. Além das mensagens, o relatório reúne registros de encontros e outros elementos relacionados aos contatos entre Vorcaro e Moraes.

A divulgação ocorre em meio a uma discussão sobre os limites da apuração e sobre o encaminhamento que deverá ser dado às informações. Mendonça pretende levar os novos elementos ao Plenário do STF, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) defende o arquivamento do caso.

Conversa entre ministros antecedeu divulgação

Antes de tornar o relatório público, Mendonça informou a Moraes que encaminharia o material à PGR. Os dois ministros tiveram uma conversa na segunda-feira (31) que, segundo relatos de interlocutores, foi marcada por um tom direto e ríspido.

Mendonça também comunicou o presidente do STF, Edson Fachin, sobre os próximos passos.

Em sua decisão, Mendonça afirmou que o encaminhamento dos novos elementos ao Plenário seria um caminho necessário, independentemente da posição adotada pela PGR. A análise deverá ocorrer em sessão pública e presencial, mas a data ainda depende de definição de Fachin.

O que aparece nas mensagens entre Vorcaro e Moraes

Um dos trechos que ganharam destaque é uma mensagem enviada por Vorcaro em 14 de novembro de 2025, pouco antes de sua prisão.

Na conversa, o ex-banqueiro demonstrou gratidão ao ministro e afirmou que sua família, funcionários, parceiros e amigos teriam uma “dívida de vida” com Moraes e sua família.

Também aparecem mensagens nas quais Vorcaro teria consultado o ministro sobre a possibilidade de ser alvo de uma operação.

Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, o banqueiro perguntou se deveria deixar o país. No dia seguinte, voltou a questionar se existia possibilidade de algo acontecer na manhã seguinte.

Vorcaro acabou preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.

PF identificou ao menos seis encontros

O relatório também aponta indícios de pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes entre novembro de 2024 e agosto de 2025.

Em março de 2025, por exemplo, um funcionário do banqueiro teria informado que “Min Alexandre chegou”. Na mesma noite, Vorcaro enviou mensagem a um diretor do Banco Central dizendo que estava “com Moraes aqui”.

O documento ainda menciona tratativas relacionadas a eventos realizados ou planejados em Londres. Em uma das conversas, Vorcaro afirmou que organizava um evento “super exclusivo” com Alexandre de Moraes na capital britânica.

As mensagens analisadas pela PF também fazem referência à escolha de convidados, programação e composição de painéis.

Apesar da quantidade de elementos reunidos, a Polícia Federal informou que não realizou, até aquele momento, atos de aprofundamento investigativo especificamente direcionados a Moraes ou a outros ministros. O relatório teria apenas organizado informações encontradas no material apreendido durante a Operação Compliance Zero.

PGR defende arquivamento

A divulgação do relatório também colocou em lados diferentes o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A PGR defende a nulidade e o arquivamento da apuração relacionada a Moraes e Vorcaro. Na avaliação de Gonet, houve uma tentativa de buscar elementos que pudessem indicar envolvimento do ministro em possíveis ilícitos.

O procurador-geral também questiona a forma como Mendonça conduziu a análise do material. Segundo Gonet, não caberia ao ministro realizar investigação pré-processual ou formular acusações e, diante da existência de pessoas com foro por prerrogativa de função entre os envolvidos, o caso deveria ter sido encaminhado diretamente ao Plenário.

Discussão sobre código de conduta ganha espaço

No mesmo dia em que o relatório veio a público, Mendonça defendeu durante um seminário no STF a criação de um código de conduta para magistrados.

Segundo o ministro, regras mais claras ajudariam a preservar a confiança da sociedade no Judiciário e estabeleceriam parâmetros para situações envolvendo manifestações públicas, participação de magistrados em eventos patrocinados por entidades privadas e hipóteses de suspeição.

Fachin também já demonstrou apoio à discussão. A proposta, porém, encontra resistência entre integrantes do Supremo.

Mendonça não relacionou publicamente sua defesa do código às informações envolvendo Moraes e Vorcaro. A discussão ocorre, entretanto, no mesmo momento em que o tribunal enfrenta a repercussão interna provocada pelo relatório da PF.

Caso pode chegar ao Plenário do STF

A expectativa é que Mendonça tente levar os novos elementos ao Plenário do Supremo já na próxima semana. A definição da data, porém, cabe a Edson Fachin, presidente da Corte.

Os ministros deverão analisar o material e decidir sobre o eventual prosseguimento da apuração envolvendo Moraes.

O episódio coloca o próprio STF diante de uma situação incomum: o tribunal poderá precisar discutir, em sessão plenária, informações relacionadas a um de seus integrantes.

Enquanto Mendonça defende a análise dos novos elementos pelo colegiado, a PGR sustenta que o caso deve ser encerrado. A decisão sobre qual caminho será seguido poderá aumentar ainda mais a pressão sobre a Corte nas próximas semanas.

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