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Brasil – Uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou uma aliança entre milicianos da Zona Oeste e integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), na Zona Norte do Rio, apesar da rivalidade histórica entre os grupos.
Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), a aproximação teria sido motivada principalmente por um inimigo em comum: o Comando Vermelho (CV).
As investigações apontam que os grupos passaram a compartilhar apoio logístico e negociar armas, munições, veículos roubados e bloqueadores de sinais. O caso resultou em uma operação realizada nesta quinta-feira (27), que prendeu dois policiais militares e um homem apontado como traficante.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por crimes como extorsão, homicídio e constituição de milícia privada. Quatro dos denunciados já estavam presos.
Mensagens revelaram aproximação entre os grupos
A investigação começou após a prisão em flagrante de Yuri Guimarães Soares, em novembro de 2023, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.
Na ocasião, Yuri estava em um carro acompanhado de outras duas pessoas. Policiais encontraram fuzis e carregadores dentro do veículo.
A partir da análise do celular apreendido com ele, os investigadores encontraram conversas que, segundo o MPRJ, indicavam uma ligação entre a milícia de Curicica, em Jacarepaguá, e integrantes do TCP que atuavam em comunidades como os complexos da Maré e da Pedreira.
Para o Ministério Público, Yuri funcionava como um dos elos entre os grupos.
Em uma conversa com Osmar Silva de Souza, conhecido como Messi ou Novinho e apontado como integrante da milícia, Yuri teria escrito:
“O TCP não é inimigo nosso, pelo contrário, é mais de ajudar a gente”, segundo o MP.
Em outra mensagem, também citada na investigação, ele teria reforçado a ideia de união contra o Comando Vermelho:
“Nossa guerra é com os [integrantes do] Comando Vermelho. O segredo da vitória é nossa união, irmão.”
As mensagens são apresentadas pelo Ministério Público como parte dos elementos que sustentam a suspeita de cooperação entre organizações criminosas que tradicionalmente disputavam territórios e influência.
Investigação aponta negociação de drogas e armas
Os investigadores também encontraram conversas entre Yuri e Thauan da Silva Menezes, conhecido como Balão e apontado como integrante do TCP.
Segundo o MPRJ, Balão atuaria no Complexo da Maré, especialmente na Vila do João, e participaria da compra e venda de drogas em grande escala.
A investigação também atribui a ele participação na negociação de armas de fogo, incluindo contatos com fornecedores e compradores de fuzis.
De acordo com a denúncia, a relação entre integrantes do TCP e da milícia teria ultrapassado a troca de informações e envolvido uma estrutura de apoio mútuo, com fornecimento e negociação de equipamentos e recursos utilizados pelas organizações.
Dois policiais militares foram presos
A operação desta quinta-feira também teve como alvo dois policiais militares.
Jorge Anastácio Rodrigues Simões foi preso no batalhão onde trabalha, em São Cristóvão, na Zona Norte. Já Leo Carlos Anjos dos Santos, lotado em um batalhão de Botafogo, na Zona Sul, foi preso em casa.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os dois são suspeitos de fornecer e intermediar a venda de armas e munições destinadas a integrantes da milícia e do TCP.
Um homem apontado como traficante também foi preso durante a operação.
As acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal, e os denunciados têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Investigação mira atuação conjunta
Para o Ministério Público, a descoberta das conversas demonstra uma mudança na relação entre grupos que historicamente disputavam espaço no Rio de Janeiro.
A hipótese investigada é que a existência de um adversário comum tenha criado uma espécie de cooperação entre a milícia e o TCP, especialmente em áreas onde há disputa territorial com o Comando Vermelho.
O caso continua sob investigação, enquanto o material reunido pelo MPRJ será utilizado no processo contra os denunciados.

