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Baixada Santista – Sereias do Bololô já reúne mais de 20 mulheres da Baixada Santista e promove passeios mensais com regras voltadas à segurança
A paixão por motocicletas e pelo mar uniu três amigas e deu origem a um motogrupo exclusivamente feminino na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Criado há cerca de um ano, o Sereias do Bololô já reúne mais de 20 motociclistas e promove encontros mensais pela região.
A proposta é criar um espaço para mulheres que gostam de pilotar, independentemente da experiência ou da cilindrada da motocicleta. Além dos passeios, o grupo mantém regras próprias para preservar a segurança e a convivência entre as integrantes.
“Lugar de mulher também é nas duas rodas. Não é sobre competir, é sobre se unir, se divertir e provar que a força feminina vai longe até de moto”, afirmou Taís dos Santos, de 32 anos, influenciadora digital e uma das administradoras.
Os encontros e ações promovidos pelo grupo também ganharam espaço nas redes sociais, onde vídeos das motociclistas acumulam milhares de visualizações.
Quem pode participar do motogrupo feminino?
O Sereias do Bololô estabeleceu alguns critérios para novas integrantes. Segundo Sabrina Dameto, de 24 anos, técnica de nutrição e administradora do grupo, é necessário:
- Ser mulher;
- Ter uma motocicleta;
- Morar na Baixada Santista;
- Participar de um encontro antes de ser adicionada ao grupo;
- Preencher um formulário com dados pessoais para avaliação das administradoras.
A exigência de participar primeiro de um encontro foi criada após o aumento da procura pelo grupo. De acordo com Sabrina, a intenção é garantir que as interessadas realmente estejam dispostas a participar da comunidade.
As regras continuam valendo depois da entrada no motogrupo.
Regras buscam preservar segurança das integrantes
Entre as normas estabelecidas pelo Sereias do Bololô está a proibição de divulgar as rotas dos encontros para pessoas de fora do grupo.
Também não são permitidas ofensas entre as integrantes, independentemente de características como cilindrada da motocicleta, idade ou cor da pele.
A preocupação com a segurança também está relacionada ao preconceito que mulheres motociclistas ainda enfrentam.
“Existe muito preconceito e frases de ódio voltadas às mulheres pilotando. Nós mostramos que não é a realidade, combatemos de frente e seguimos mostrando que mulher também pode”, destacou Jennyfer Souza, de 25 anos, vendedora de motos e administradora do grupo.
Como funcionam os passeios?
Os encontros do motogrupo feminino acontecem uma vez por mês. As rotas são escolhidas de acordo com o perfil das participantes e podem mudar a cada passeio.
O grupo aceita mulheres com pouca experiência na condução de motocicletas e também motocicletas de baixa cilindrada. Por isso, segundo Jennyfer, os trajetos são planejados para que todas possam acompanhar o percurso com segurança.
Os passeios também incluem uma parada para lanche, transformando o encontro em um momento de convivência além da pilotagem.
Durante o trajeto, uma das administradoras segue à frente para orientar o grupo. Na parte de trás ficam as motociclistas mais experientes, chamadas pelas integrantes de “anjos”. Elas ajudam a garantir que nenhuma participante fique para trás ou se perca durante o percurso.
Grupo busca criar ambiente sem competição
A ideia das criadoras é fugir da lógica de competição e oferecer um ambiente em que mulheres com diferentes níveis de experiência possam participar.
“A ideia era criar um espaço sem pressão, só pela vibe boa e também para incluir todas, independente da cilindrada da moto. Hoje, somos mais que um grupo, somos uma irmandade: mulheres fortes, livres e unidas pela amizade e pela vontade de fazer o bem”, afirmou Taís.
Além dos passeios, as administradoras também dividem tarefas relacionadas às redes sociais, aos patrocinadores e à organização de ações sociais.
Motogrupo e motoclube não são a mesma coisa
Apesar de reunir motociclistas e possuir regras próprias, o Sereias do Bololô se define como motogrupo, e não como motoclube.
Segundo Sabrina, a principal diferença está na estrutura. Um motoclube costuma ter uma organização mais formal, com hierarquia, estatuto e representação oficial em eventos.
Já o motogrupo possui uma estrutura mais informal. No caso das Sereias do Bololô, não existe uma hierarquia entre as integrantes.
“Não há hierarquia. Todas têm voz e o foco é sempre uma ajudar a outra”, explicou Taís.
As administradoras ficam responsáveis por diferentes funções, como gerenciamento das redes sociais, contato com patrocinadores e organização das atividades.
Com mais de 20 integrantes, o grupo criado por Taís, Sabrina e Jennyfer mostra que o universo das motocicletas também pode ser espaço de amizade, inclusão e autonomia para mulheres que querem ocupar as estradas sobre duas rodas.
