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Baixada Santista – Douglas Pagliuca, de 40 anos, morreu asfixiado após ser imobilizado por três homens em uma rua de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ele estava em surto após a morte do pai, que havia sido enterrado no dia anterior.
O caso aconteceu no último dia 30, na Rua Pedro Ivo, no bairro Embaré, e inicialmente foi registrado como morte suspeita. Com a análise das imagens de câmeras de monitoramento e do laudo do Instituto Médico Legal (IML), porém, a investigação mudou de direção e passou a considerar a possibilidade de homicídio.
Até o momento, ninguém foi preso, mas os três homens que participaram da contenção podem responder pelo crime.
Homem estava desorientado antes de ser imobilizado
As imagens de monitoramento analisadas pela Polícia Civil mostram Douglas desorientado momentos antes da abordagem. Ele derrubou um vaso de planta e chegou a bater em um portão na Rua Pedro Ivo.
Pouco depois, três homens se aproximaram e passaram a contê-lo. Segundo a investigação, a imobilização durou aproximadamente dez minutos.
Durante a ação, Douglas teve os pulsos e os tornozelos amarrados por outras pessoas que estavam no local.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e levou o homem para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste, onde a morte foi constatada.
Polícia diz que vítima estava em surto após morte do pai
A Polícia Civil confirmou ao g1 que Douglas havia entrado em surto após a morte do pai.
A ex-companheira dele foi quem registrou o boletim de ocorrência sobre a morte. Segundo o relato apresentado à polícia, ela era a única pessoa próxima a Douglas em Santos e foi informada na UPA de que ele havia sido encontrado morto na rua.
Ainda conforme o documento, Douglas era usuário de drogas, tinha histórico de internações e vivia em episódios de surto. O pai dele, Luciano Pagliuca Filho, havia sido enterrado no dia anterior à ocorrência.
A Polícia Civil não informou a causa nem a data exata da morte do pai.
Laudo aponta morte por asfixia
O laudo do Instituto Médico Legal foi determinante para a mudança na investigação. O exame confirmou que Douglas morreu por asfixia.
Para a Polícia Civil, a forma como ele foi contido foi considerada exagerada. O delegado Wagner Camargo Gouveia, do 3º Distrito Policial de Santos, afirmou que um dos homens chegou a pressionar o pescoço da vítima.
“Subiram no pescoço, deram mata-leão e ele acabou falecendo”, afirmou o delegado.
Segundo a investigação, o homem que segurou o pescoço de Douglas poderá ser responsabilizado pelo homicídio, enquanto a participação dos demais envolvidos também é analisada.
Câmeras mudaram rumo da investigação
Inicialmente, a ocorrência foi apresentada à polícia como se Douglas tivesse se autolesionado. A versão dizia que ele estaria dando cabeçadas contra uma parede.
Após a instauração do inquérito, os investigadores analisaram as imagens das câmeras de segurança e encontraram elementos que, segundo a Polícia Civil, contradiziam esse relato.
O delegado explicou que as gravações mostraram uma dinâmica diferente da apresentada inicialmente pelas testemunhas.
“Apresentaram na delegacia como se ele tivesse se autolesionado, ficava dando cabeçadas na parede, por isso a morte. Depois que a gente viu o vídeo, não foi nada disso que aconteceu”, relatou Gouveia.
Com as imagens e o resultado do IML, o caso passou a ser investigado como homicídio.
Três homens podem responder por homicídio
A Polícia Civil trabalha para identificar todos os envolvidos na contenção de Douglas. Até o momento, apenas um dos homens, que aparece nas imagens usando camiseta verde, prestou depoimento.
De acordo com o delegado, ele mudou a versão apresentada inicialmente. No novo relato, afirmou que apenas segurou o pé de Douglas e negou ter prendido a vítima pelo pescoço.
O homem também teria afirmado que ficou nervoso com a situação e que chamava os policiais.
A investigação continua para esclarecer a participação de cada envolvido e determinar as responsabilidades pela morte de Douglas.
Até o momento, os três homens não foram presos.
