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Educação – A preparação para a redação do Enem 2026 exige mais do que treinar a escrita. Para construir uma argumentação consistente, os candidatos precisam acompanhar questões sociais, ambientais e educacionais que estão em debate no Brasil.
Segundo o professor Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, o exame valoriza a capacidade de analisar problemas atuais, desenvolver argumentos e apresentar propostas de intervenção. Por isso, acompanhar as principais notícias do país pode ajudar na construção de repertório para a prova.
O Enem 2026 está previsto para os dias 8 e 15 de novembro, e a redação continua sendo uma das etapas que mais exigem preparação dos estudantes.
O especialista ressalta que o objetivo não deve ser tentar adivinhar qual será o tema escolhido. A estratégia é identificar assuntos atuais que tenham relação com características recorrentes da prova, como problemas sociais brasileiros, garantia de direitos, desigualdade e invisibilidade de determinados grupos.
Entre os assuntos que merecem atenção durante a preparação estão:
1. Proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais
O crescimento do uso de tecnologias por crianças e adolescentes levanta questões relacionadas à segurança e à exposição a conteúdos inadequados.
O assunto envolve temas como publicidade direcionada, coleta de dados pessoais, cyberbullying, assédio e outras formas de violência no ambiente virtual.
Na redação, o estudante poderia discutir a responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, poder público e empresas de tecnologia.
Entre os possíveis pontos de discussão estão a educação digital, o letramento midiático, a proteção de dados, a verificação de idade e a responsabilidade das plataformas pelos conteúdos e mecanismos de recomendação.
2. Direito à vida e ao futuro da juventude brasileira
A situação da juventude também aparece entre os temas que podem contribuir para a preparação dos candidatos.
Violência letal, evasão escolar, falta de oportunidades, crime organizado e desigualdade atingem diferentes grupos de jovens de maneira desigual, especialmente aqueles que vivem em regiões periféricas.
Uma redação sobre o assunto poderia relacionar segurança pública, educação, trabalho, cultura e redução das desigualdades.
Também seria possível abordar o acesso ao ensino técnico e ao primeiro emprego, a falta de espaços culturais e esportivos, o aliciamento pelo crime organizado e a participação dos jovens nas decisões públicas.
3. Alfabetização plena e exercício da cidadania
Outro tema apontado pelo especialista é a necessidade de garantir uma alfabetização que vá além da capacidade básica de ler e escrever.
A alfabetização plena envolve também compreender textos, informações públicas, dados científicos e conteúdos digitais. Essa capacidade interfere diretamente na autonomia dos cidadãos e na participação na sociedade.
Entre os possíveis caminhos de discussão estão a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a formação e valorização dos professores, o combate à evasão escolar e as desigualdades regionais e socioeconômicas.
O tema também permite abordar alfabetização digital, alfabetização científica e letramento midiático como ferramentas para enfrentar a desinformação.
4. Confiança na ciência e nas instituições de saúde
A circulação de informações falsas e interpretações equivocadas sobre ciência e saúde também pode render uma discussão relevante para a redação.
O candidato pode relacionar o tema à divulgação científica, à educação, à transparência das informações públicas e ao combate à desinformação.
Entre os possíveis aspectos estão a comunicação pública em linguagem acessível, a valorização das universidades e instituições de pesquisa, a divulgação de informações sobre vacinas e tratamentos e a responsabilidade das plataformas digitais.
A aproximação entre ciência, imprensa e sociedade também pode ser utilizada como parte da discussão.
5. Inclusão de estudantes com altas habilidades ou superdotação
A identificação e o atendimento de estudantes com altas habilidades ou superdotação também estão entre os assuntos que merecem atenção.
Muitos desses estudantes podem permanecer invisíveis no ambiente escolar quando não existem instrumentos adequados para identificar suas potencialidades ou profissionais preparados para oferecer o atendimento necessário.
O tema permite discutir formação de professores, atendimento educacional especializado, flexibilização curricular e enriquecimento das atividades escolares.
Também podem ser abordadas questões como desigualdade de acesso ao diagnóstico e acompanhamento, apoio socioemocional e reconhecimento da chamada dupla excepcionalidade.
6. Inclusão de pessoas neurodivergentes na sociedade
A inclusão de pessoas neurodivergentes é outro assunto que pode contribuir para a preparação dos estudantes.
Pessoas com autismo, TDAH, dislexia e outras condições podem enfrentar barreiras educacionais, profissionais, comunicacionais e culturais.
Uma proposta de redação sobre o tema poderia abordar a formação de professores, adaptações no ambiente escolar, acesso ao ensino superior, empregabilidade e acessibilidade.
O combate ao capacitismo e a criação de ambientes mais acessíveis também podem fazer parte da argumentação, assim como a necessidade de ampliar a participação e a autonomia das próprias pessoas neurodivergentes.
7. Calamidades climáticas e degradação ambiental
Os impactos das mudanças climáticas e da degradação ambiental também estão entre os assuntos indicados pelo professor.
Enchentes, eventos climáticos extremos, desmatamento e queimadas mostram como problemas ambientais podem atingir de maneira mais intensa populações que vivem em situação de vulnerabilidade.
Entre as possíveis abordagens estão a prevenção de desastres, os sistemas de alerta, o planejamento urbano, a fiscalização de áreas de risco e a adaptação das cidades.
O candidato também pode discutir justiça climática, proteção dos biomas, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental e integração entre ciência e gestão pública.
Como se preparar para a redação do Enem 2026?
Para o professor Ademar Celedônio, a preparação não deve se concentrar na tentativa de descobrir antecipadamente qual será o tema da redação.
O mais importante é desenvolver repertório sociocultural, capacidade de interpretação, argumentação e habilidade para apresentar propostas de intervenção.
Uma estratégia é acompanhar notícias sobre questões sociais, ambientais, educacionais e de saúde e, a partir delas, praticar redações sobre diferentes problemas.
Também é importante entender como construir uma argumentação coerente, relacionar causas e consequências e apresentar soluções que sejam viáveis e estejam de acordo com os direitos humanos.
Dessa forma, mesmo que o tema escolhido pelo Enem seja diferente dos assuntos estudados durante a preparação, o candidato terá mais repertório e ferramentas para desenvolver uma redação consistente.

